Para o caricaturista Afonso Carlos, o chargista pode ser comparado ao bobo da corte
Para o caricaturista Afonso Carlos, o chargista pode ser comparado ao bobo da corte
O carioca Afonso Carlos começou a se interessar pelo cartunismo aos cinco anos de idade, quando já "adorava desenhar". No ginásio, passou pela típica fase de caricaturar professores. "Eles pediam para isso [serem caricaturados] ficando parados, ali, na frente da sala. Eram ótimos modelos!", brinca.
| Afonso Carlos |
Formado em Comunicação Visual pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, Carlos lembra que se interessou de vez pelos cartuns e caricaturas devido aos salões de humor, nos quais esteve presente várias vezes. "Participei de quase todos os Salões de Humor Carioca, desde a segunda edição, em 1989".
Anos mais tarde, os mesmos salões que o incentivaram a seguir carreira, reconheceram seu trabalho e seu talento. Carlos foi premiado por três vezes consecutivas com o primeiro lugar em caricatura no Salão Carioca de Humor dos anos de 1992, 1993 e 1994, um feito inédito.
| Afonso Carlos |
|
Com o reconhecimento, o caricaturista viu seu trabalho ser valorizado, inclusive no jornal em que atuava. "Até meu editor mudou de comportamento, me dando carta branca pra criar sem interferências".
Para Carlos, chargistas e cartunistas são uma "ilha de opinião dentro de um jornal" e conseguem, de maneira crítica, bem humorada e sintética levar, graficamente, opiniões contundentes a respeito de assuntos relevantes num determinado momento.
| Afonso Carlos |
|
"Na realidade, o chargista faz o mesmo papel do bobo da corte, que era a única pessoa do reino que tinha a permissão do rei para criticá-lo. E ele ainda achava graça", brinca.
Quando perguntado sobre o mercado de trabalho, o cartunista diz que, ainda que os bons trabalhos sejam reconhecidos, trata-se de uma área complicada. "O mercado é muito fechado, principalmente nos grandes jornais".
| Afonso Carlos |
|
Afonso Carlos define sua obra como "uma crônica visual do dia-a-dia, com muito humor", e tem preferência por temas polêmicos, que causam indignação. "A política é um prato cheio", diz.
Atualmente, ele trabalha como ilustrador e caricaturista freelancer , e mantém um para divulgar suas criações.






