Para o caricaturista Afonso Carlos, o chargista pode ser comparado ao bobo da corte

Para o caricaturista Afonso Carlos, o chargista pode ser comparado ao bobo da corte

Atualizado em 13/06/2008 às 15:06, por Érika Valois/ Redação Portal IMPRENSA.

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O carioca Afonso Carlos começou a se interessar pelo cartunismo aos cinco anos de idade, quando já "adorava desenhar". No ginásio, passou pela típica fase de caricaturar professores. "Eles pediam para isso [serem caricaturados] ficando parados, ali, na frente da sala. Eram ótimos modelos!", brinca.

Afonso Carlos

Formado em Comunicação Visual pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, Carlos lembra que se interessou de vez pelos cartuns e caricaturas devido aos salões de humor, nos quais esteve presente várias vezes. "Participei de quase todos os Salões de Humor Carioca, desde a segunda edição, em 1989".

Anos mais tarde, os mesmos salões que o incentivaram a seguir carreira, reconheceram seu trabalho e seu talento. Carlos foi premiado por três vezes consecutivas com o primeiro lugar em caricatura no Salão Carioca de Humor dos anos de 1992, 1993 e 1994, um feito inédito.

Afonso Carlos

Com o reconhecimento, o caricaturista viu seu trabalho ser valorizado, inclusive no jornal em que atuava. "Até meu editor mudou de comportamento, me dando carta branca pra criar sem interferências".

Para Carlos, chargistas e cartunistas são uma "ilha de opinião dentro de um jornal" e conseguem, de maneira crítica, bem humorada e sintética levar, graficamente, opiniões contundentes a respeito de assuntos relevantes num determinado momento.

Afonso Carlos

"Na realidade, o chargista faz o mesmo papel do bobo da corte, que era a única pessoa do reino que tinha a permissão do rei para criticá-lo. E ele ainda achava graça", brinca.

Quando perguntado sobre o mercado de trabalho, o cartunista diz que, ainda que os bons trabalhos sejam reconhecidos, trata-se de uma área complicada. "O mercado é muito fechado, principalmente nos grandes jornais".

Afonso Carlos

Afonso Carlos define sua obra como "uma crônica visual do dia-a-dia, com muito humor", e tem preferência por temas polêmicos, que causam indignação. "A política é um prato cheio", diz.

Atualmente, ele trabalha como ilustrador e caricaturista freelancer , e mantém um para divulgar suas criações.