Para Nicolielo, "charge morre com a notícia, mas é interessante como registro histórico"

Para Nicolielo, "charge morre com a notícia, mas é interessante como registro histórico"

Atualizado em 13/02/2009 às 18:02, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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Jornalista e formado em Direito, Antonio Carlos Nicolielo tornou-se chargista por acaso. "Minha primeira reportagem foi sobre a lotação na cadeia pública de Bauru (SP), no Jornal da Cidade de Bauru . Ilustrei com um desenho meu e acabou saiu na primeira página. Depois disso, comecei a fazer charge política diariamente".

Antonio Carlos Nicoliélo

Colaborador do jornal até hoje, ele teve seus trabalhos publicados por veículos como Folha de S.Paulo, Diário de São Paulo, Diário da Noite, Folha da Região de Araçatuba , revistas Visão, Status e Viaje Bem . "Comecei nos Diários Associados em 1971, no auge da censura imposta pela ditadura militar. Pode parecer estranho, mas tornei chargista político internacional graças à ditadura, porque não conseguia publicar meu trabalho aqui", conta.

Para Nicolielo, sempre que há uma mudança social os primeiros prejudicados são os humoristas. "O humor sempre incomodou, os politicamente incorretos temem a ironia e a crítica, pois as charges mostram a verdade de uma maneira engraçada".

Antonio Carlos Nicoliélo

Ele conta que a inspiração para as charges vem de um fato diário. Segundo ele, a charge "é uma abordagem crônica do que aconteceu". A charge morre com a notícia do jornal, mas é muito interessante como registro histórico", diz.

Antonio Carlos Nicoliélo

Afiliado ao New York Times Syndicate - que distribui seus desenhos para mais de 150 publicações em todo o mundo - e ao Cartoonist & Writers Syndicateseu trabalho já foi publicado na revista alemã Pardon e em antologias de Caricatura no Canadá, Grécia, Alemanha, Bulgária e Polônia, além de ter três livros editados e ter dado conferências sobre História Universal da Caricatura em várias universidades brasileiras.

Antonio Carlos Nicoliélo

No entanto, ele concorda que ser bem sucedido como chargista é uma exceção no Brasil. "Não surgiu muita gente nova, tem mais o pessoal que já está encaixado na imprensa, é muito difícil. Mas eu vivo disso, sempre vivi. O humor é uma linguagem universal, a função do chargista é descobrir o incorreto dentro do que é certo".

Sua mais nova colaboração é com a coluna Iscas Intelectuais, do site Café Brasil, onde a premissa é a provocação e a abertura de discussões sobre o cotidiano brasileiro. Nicolielo, como sempre, provoca com suas charges.