Para Nicolielo, "charge morre com a notícia, mas é interessante como registro histórico"
Para Nicolielo, "charge morre com a notícia, mas é interessante como registro histórico"
Jornalista e formado em Direito, Antonio Carlos Nicolielo tornou-se chargista por acaso. "Minha primeira reportagem foi sobre a lotação na cadeia pública de Bauru (SP), no Jornal da Cidade de Bauru . Ilustrei com um desenho meu e acabou saiu na primeira página. Depois disso, comecei a fazer charge política diariamente".
| Antonio Carlos Nicoliélo |
Colaborador do jornal até hoje, ele teve seus trabalhos publicados por veículos como Folha de S.Paulo, Diário de São Paulo, Diário da Noite, Folha da Região de Araçatuba , revistas Visão, Status e Viaje Bem . "Comecei nos Diários Associados em 1971, no auge da censura imposta pela ditadura militar. Pode parecer estranho, mas tornei chargista político internacional graças à ditadura, porque não conseguia publicar meu trabalho aqui", conta.
Para Nicolielo, sempre que há uma mudança social os primeiros prejudicados são os humoristas. "O humor sempre incomodou, os politicamente incorretos temem a ironia e a crítica, pois as charges mostram a verdade de uma maneira engraçada".
| Antonio Carlos Nicoliélo |
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Ele conta que a inspiração para as charges vem de um fato diário. Segundo ele, a charge "é uma abordagem crônica do que aconteceu". A charge morre com a notícia do jornal, mas é muito interessante como registro histórico", diz.
| Antonio Carlos Nicoliélo |
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Afiliado ao New York Times Syndicate - que distribui seus desenhos para mais de 150 publicações em todo o mundo - e ao Cartoonist & Writers Syndicateseu trabalho já foi publicado na revista alemã Pardon e em antologias de Caricatura no Canadá, Grécia, Alemanha, Bulgária e Polônia, além de ter três livros editados e ter dado conferências sobre História Universal da Caricatura em várias universidades brasileiras.
| Antonio Carlos Nicoliélo |
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No entanto, ele concorda que ser bem sucedido como chargista é uma exceção no Brasil. "Não surgiu muita gente nova, tem mais o pessoal que já está encaixado na imprensa, é muito difícil. Mas eu vivo disso, sempre vivi. O humor é uma linguagem universal, a função do chargista é descobrir o incorreto dentro do que é certo".
Sua mais nova colaboração é com a coluna Iscas Intelectuais, do site Café Brasil, onde a premissa é a provocação e a abertura de discussões sobre o cotidiano brasileiro. Nicolielo, como sempre, provoca com suas charges.






