Para Luís Rabatone, fotografar o folclore brasileiro é algo único

Para Luís Rabatone, fotografar o folclore brasileiro é algo único

Atualizado em 06/08/2008 às 18:08, por Érika Valois/Redação Portal IMPRENSA.

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Luís Fernando Rabatone, 41 anos, é natural de Olímpia, município do interior de São Paulo (SP), conhecido como a capital nacional do folclore. O universo de cores e símbolos levados para a pequena cidade anualmente - todo mês de agosto - através do "Festival Nacional do Folclore", que chega neste ano à sua 44ª edição, despertou a admiração do fotógrafo, que se tornou um profundo estudioso do tema. Como resultado, nasceu o , fundado por ele há dez anos.

Luís Fernando Rabatone

A trajetória do olimpiense com a fotografia, no entanto, data da época em que ele tinha sete anos de idade e passou a ajudar o pai de dois amigos a revelar fotos. Aos onze anos, já seduzido pela arte da captura de imagens, Rabatone lembra que teve de "atormentar" seu pai para realizar o primeiro curso de fotografia, através do Instituto Universal Brasileiro, via Correios, quando ganhou sua primeira câmera. A partir de então, nunca mais parou. "Daí pra frente fui me aprimorando e hoje me sinto um 'deficiente' sem minha câmera", comenta.

O primeiro trabalho surgiu por acaso, quando ele desenvolveu um CD-Rom com imagens coletadas no famoso festival. "Literalmente, desde que nasci, sempre estive presente em todos os festivais de Olímpia. Tenho imagens que fiz ainda criança, quando já era evidente a afinidade e o olhar específico para o assunto".

Luís Fernando Rabatone

Mesmo apaixonado pelos cliques, Luís resolveu estudar odontologia, profissão que exerce há vinte anos e que sustenta sua verdadeira paixão. "A odontologia é meu ganha-pão; é ela que 'financia' meus projetos fotográficos. A fotografia veio bem antes, é algo que sempre esteve presente, mas, infelizmente, não posso me sustentar só da imagem. No entanto, jamais me desconecto dela. Só para se ter uma idéia, em qualquer intervalinho entre um paciente e outro, faço alguns cliques do cotidiano de minha janela".

Profundo admirador das diferentes manifestações regionais do país, o fotógrafo diz que se emociona ao focar pessoas com raízes culturais tão fortes. "Muitas vezes vejo que essas pessoas têm nas danças uma forma de religião", avalia.

Luís Fernando Rabatone

Para ele, a multiplicidade étnica encontrada no Brasil é um grande atrativo, que o ajuda na composição das imagens. "Nosso país é um caldeirão étnico, racial e cultural, essa diversidade é positiva e nos torna únicos. É emocionante fotografar, por exemplo, um grupo gaúcho e ver um descendente de japonês dançando influências européias ou uma italianinha dançando xaxado. Isso tudo torna a fotografia folclórica algo único".

Luís Fernando Rabatone

Rabatone define seu trabalho como "um documento visual da cultura raiz contemporânea, que resgata o passado e preserva o futuro" e afirma que, para documentar as tradições brasileiras, é preciso entendê-las, pesquisando bastante para poder criar uma opinião, uma visão nova. O estudioso acredita que o folclore está em todos os lugares, inclusive dentro de cada um de nós. Ele acrescenta que é necessário treinar o olhar, sair do lugar comum e procurar a beleza nos detalhes. "Bandeirinhas de uma festa junina ou uma vestimenta típica, podem render ótimas imagens", afirma.

Luís Fernando Rabatone


Hoje, Luiz vive na capital paulista e diz estar "batalhando por espaço". Ele quer, através da divulgação de seu material, realizar o sonho de publicar um livro com imagens e conteúdos voltados, especificamente, para o folclore. Mas, o fotógrafo reclama da falta de apoio e de reconhecimento da importância do assunto. "Infelizmente o espaço dado para este tema é mínimo; parece que só lembram do folclore no mês de agosto. Para realizar tal projeto, parcerias são bem-vindas", ressalta.