Para Leão Lobo, ao incitar a inveja, programas de fofoca estimulam crescimento pessoal do telespectador
Para Leão Lobo, ao incitar a inveja, programas de fofoca estimulam crescimento pessoal do telespectador
Há anos marcando presença na televisão brasileira todas as tardes, na Band, o jornalista Leão Lobo, 54 anos, que comanda o "Atualíssima" ao lado de Rosana Hermann, é considerado um dos ícones do chamado "jornalismo de celebridades". Seja em TV, rádio ou jornal, Leão apresenta notícias de personalidades do mundo artístico que, nem sempre, recebem bem as novidades divulgadas. Prova disso é que, mais de uma vez, pessoas que o procuravam para dar uma "notinha", depois entravam contra ele na Justiça, em ação por danos morais.
Em entrevista ao Portal IMPRENSA, o apresentador defende seu filão jornalístico. Para ele, os programas de fofoca existem porque o ser humano tem necessidade de saber o que acontece com o outro e são até importantes, na medida em que estimulam o crescimento pessoal do telespectador ao "incitarem a inveja".
Com quase 35 anos de carreira, ele lembra que, na verdade, não queria ser jornalista, mas ator de teatro e conta fatos marcantes de sua adolescência, além de comentar a nova fase do programa da Band e a recente contratação pela Rádio Record.
Portal IMPRENSA - Você atua no jornalismo há quase 35 anos. É verdade, que sua vontade era ser ator de teatro?
Leão Lobo - É, no começo eu não queria ser jornalista, queria ser ator teatral - e sou - mas resolvi ser jornalista para poder sustentar minha paixão pelo teatro, porque minha mãe não queria que eu fosse ator, dizia que não era profissão. Como meu pai era jornalista e meu irmão também, fiquei sabendo, através do meu irmão, de uma vaga para repórter no Jornal do Bairro , de São Paulo, fui fazer o teste e passei. Desde então, atuo na área.
IMPRENSA - Essa sua ligação com a arte de interpretar tem alguma coisa a ver com o fato de você ter sido conhecido como "novelino" durante a adolescência?
Leão - (Risos) Eu era tão apaixonado por novelas que o pessoal me chamava de "novelino". Sempre gostei dessa coisa de arte. Eu tinha a coleção completa de uma revista que a minha mãe queimou inteira por achar que tinha algo errado com isso. Quando ela botou fogo em tudo eu chorava e dizia "não faz mal, você pode queimar tudo que eu sei cada palavra, cada foto que tem aí e vou guardar dentro da minha cabeça".
Portal IMRPENSA - Você tem alguma coisa contra o termo "fofoqueiro"?
Leão - Eu gosto de ser chamado assim, não vejo problema algum. Acho inclusive que isso vende meu trabalho. A fofoca é a notícia de celebridades, então ela também deve ser checada. Os dois lados sempre devem ser levados em consideração.
Portal IMPRENSA - Todos os programas que você já apresentou até hoje são de fofoca. Você já teve ou tem vontade de fazer algum outro tipo de trabalho?
Leão - Eu gostaria de fazer um programa de entrevista com auditório, sobre variedades.
IMPRENSA - Nos moldes do "Programa do Jô", por exemplo?
Leão - Eu detesto o Jô. Não gosto de comparações com ele porque o acho muito arrogante. O programa seria como o do Silvio Santos, mais popular. Acho que a diferença é essa. Queria um programa de auditório parecido com o do Jô, mas não igual ao Jô. Eu até tenho um projeto sobre isso que está nas mãos da Bandeirantes; a direção inclusive falou que é muito legal, mas eles dizem que não têm espaço na grade.
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| Leão Lobo |
Leão - Esse tipo de programa existe em todo o mundo porque o ser humano tem necessidade de saber do outro. A inveja é sempre vista como uma coisa ruim, mas acho que é uma coisa positiva também. A gente tem um medo da inveja, mas ela faz a gente crescer, porque o ser humano melhora através do outro; nos estimulamos a buscar mais. Esse seria o lado bom da fofoca. Aliás, essa é a melhor parte do meu trabalho: estimular nos ídolos o que eles têm de bom. A Amy Winehouse, por exemplo, é um horror, mas tem estilo, isso é muito bacana e deve ser reconhecido e estimulado.
IMPRENSA - Você vive em meio às celebridades. Elas respeitam seu trabalho?
Leão - Elas respeitam muito. Aliás, eu busco valorizar aqueles que respeitam, já os que me bajulam eu não valorizo, soa falso. Trabalho com isso e procuro ser muito sincero com o telespectador, que percebe essas coisas. Tenho retorno através dos e-mails que recebo; claro que também recebo alguns e-mails revoltados e idiotas. Tem telespectador que é bobo, volúvel. Certa vez um fã da Cláudia Leite falou que eu deveria sofrer o mesmo castigo que o menino João Hélio. Eu li isso no ar e respondi que ele era uma pessoa equivocada e que a própria Cláudia Leite não gostaria de ter um fã assim.
IMPRENSA - Mesmo tendo o respeito dos artistas, já houve declarações contrárias, como as do ator Thiago Lacerda, por exemplo...
Leão - E eu reagi da mesma forma que ele; falei que ele deveria respeitar sim porque se não fosse o meu trabalho ele nem apareceria. Somos nós que fazemos ele aparecer, nós que falamos das pessoas bonitas. Se não fosse assim, só existiriam pessoas do tipo do Lima Duarte, ou do Carlos Vereza, por exemplo. Depois ele veio me dar a mão e eu virei as costas.
IMPRENSA - Com relação aos processos contra você, como você lida com isso?
Leão Lobo - Bom, agora tive uma situação absurda com a Susana Vieira. Falei que ela iria fazer 66 anos com aquela carinha, elogiando, dizendo que ela era a minha amiga (porque era mesmo), que acompanhei a carreira dela desde o começo, na época da TV Excelsior. Mas não sei o que aconteceu com a cabeça dela que ela entrou com um processo contra mim, só que não teve nem audiência para eu poder encontrar com ela e falar pessoalmente sobre isso. Teve a primeira instância, a segunda e a terceira instância e eu não fui nem chamado. Perdi e estou pagando. Fico indignado com essas coisas, que justiça é essa que não dá nem o direito de me defender?
IMPRENSA - No que diz respeito ao "Atualíssima", com a saída da Patrícia Maldonado e a entrada de Rosana Hermann, o que mudou no programa? Aliás, você tem problema em dividir a apresentação com outra pessoa?
Leão - Eu não tenho problema em dividir. Acho que, na verdade, a gente não divide a gente soma. Agora, no "Atualíssima", entrou o estilo da Rosana, que é muito mais voltada à internet. Entrou também mais humor porque ela é engraçada. A gente faz brincadeiras no ar. Na semana passada, por exemplo, abri o programa passando roupa porque saiu na internet que um homem bateu o recorde mundial de passar roupa, e ela brincou comigo dizendo que eu não sabia fazer isso.
IMPRENSA - Você vai comandar um programa de rádio pela Record. Antes, passou 11 anos com um programa na Rádio Globo. Por que aconteceu essa troca de emissora?
Leão - Saí da Rádio Globo porque ela foi para outro caminho, mais elitista. Vai ser igual a CBN. Já eu tenho um caminho mais popular e a Rádio Record está nesse caminho, em busca do povo. Eu acho bacana trabalhar em dois lugares, isso me acrescenta, da mesma forma que também acho positivo trabalhar com outra pessoa.
IMPRENSA - Será um programa semanal?
Leão - Isso. O programa se chamará "Programa Leão Lobo" e irá ao ar de 11h às 13h - inclusive vou ter mais espaço do que o que eu tinha na Globo, que era de 12h às 13h. Nele, farei entrevistas com famosos, comentários sobre comportamento e contarei fofocas, claro. Durante a semana, vou falar dos bastidores de novelas e do meio artístico em geral nos programas "Paulinho Boa Pessoa", "Mulher Nota Mil" e "Balanço Geral".
Foto: Divulgação






