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Para Laura Muller, “dúvidas dos jovens do ‘Alta Horas’ são parecidas com as dos adultos”

Há cinco anos, a sexóloga Laura Muller vai ao ar nas madrugadas de sábado para domingo na TV Globo onde responde às dúvidas de sexo da quase


Crédito: Divulgação
Para Laura Muller, “dúvidas dos jovens do ‘Alta Horas’ são parecidas com as dos adultos” Laura Muller

sempre imprevisível plateia do programa “Altas Horas”, comandado por Serginho Groisman.

Sua chegada à emissora nasceu de um convite de Groisman, após repercussão de seu segundo livro, “500 perguntas de sexo do adolescente”, de 2006, época em que a “coleguinha” – Laura atuou como jornalista entre 1991 e 2001 – já consolidava a carreira de educadora sexual e psicóloga clínica.

Autora de três livros – ainda “500 perguntas sobre sexo: respostas para as principais dúvidas de homens e mulheres” (2001) e “Altos papos sobre sexo: dos 12 aos 80 anos” (2009) – Laura falou à IMPRENSA sobre o desafio e a curiosidade de falar de um tema tabu em rede nacional.

IMPRENSA - Às vezes, algumas perguntas dos jovens do "Alta Horas" mostram uma educação sexual precária. Isso choca você?

Não chega a me chocar. As dúvidas do “Altas Horas” são muito parecidas com as que eu recebo de adultos e da terceira idade quando faço palestras pelo Brasil. Por exemplo, é comum perguntarem se sexo oral engravida. Muitos adultos não tiveram educação sexual. Muitos adolescentes ainda não têm. Então, [estas perguntas] são o reflexo do cenário em que vivemos. Temos muito a caminhar ainda em educação sexual.

Há também perguntas bem ousadas para um(a) jovem de 14 ou 15 anos. A moral da juventude atual é mais "elástica"?

Acho que não podemos dizer isso. Dos anos 80 para cá, a AIDS chegou no Brasil e no mundo.

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Para Laura Muller, “dúvidas dos jovens do ‘Alta Horas’ são parecidas com as dos adultos”

No final dos 90, chegaram os primeiros medicamentos de ereção. São marcos que transformaram nosso jeito de viver a sexualidade. Há inúmeros outros: como o surgimento da pílula, que liberou a vida sexual da mulher. O que marca o cenário de hoje é o consumo desenfreado, o cenário de coisas descartáveis. Isso leva a pensar o quanto a gente não vive também relações descartáveis.

Alguma pergunta ou situação deixou de ir para o ar?

Olha, não vivo cortes no programa. O quadro é um bate-papo franco e aberto, eu me sinto completamente à vontade e os jovens também. Às vezes, uma pergunta ou outra não vai para o ar pela edição do programa, pela limitação de tempo do quadro mesmo.

Recentemente, teve aquela pergunta de uma menina da plateia que atribuiu a dúvida à tia, gerando risadas gerais. Foi a pergunta mais inesperada?

Foi a mais divertida. Era uma menina bastante engraçada, que construiu a pergunta de maneira muito engraçada. Começou a dar ataque de riso em todo mundo (risos).


Teve mais algum episódio similar que a marcou?

O jovem é muito criativo, né? Uma vez, uns garotos perguntaram o que era “cilionete”. Eu disse: “cilionete”? Eles disseram que descobriram isso na aula de Biologia. Na verdade, eles tinham inventado a palavra. Tem a expressão popular para sexo oral, que é “boquete”, então eles falaram “cilionete”, que era o sexo com os cílios (risos). Foi para o ar também e foi muito engraçado.

A seu ver, alguma tendência do comportamento sexual do jovem de hoje merece uma preocupação maior?

Não exatamente. O que temos que ter é uma noção de limite para viver a sexualidade. Não é para ficar totalmente reprimido, nem para extrapolar todos os limites. Mas, qual é o limite? É o respeito a si mesmo, aos seus valores, às suas crenças, aos seus desejos e à pessoa que está ao seu lado. Além disso, vivemos em uma era de DSTs e AIDS. Isso também é um limite. Por isso a importância da camisinha. É preciso pensar ainda como o sexo se conjuga com o afeto e com as relações amorosas na nossa vida.



Para Laura Muller, “dúvidas dos jovens do ‘Alta Horas’ são parecidas com as dos adultos”

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