Para Folha de S.Paulo, Lula vê liberdade de opinião como "capricho"

Para Folha de S.Paulo, Lula vê liberdade de opinião como "capricho"

Atualizado em 25/03/2010 às 09:03, por Redação Portal IMPRENSA.

Para Folha de S.Paulo , Lula vê liberdade de opinião como "capricho"

Nesta quinta-feira (25), o jornal Folha de S. Paulo rebateu as críticas do presidente Lula, que em discurso na cidade de Brasília disse que a imprensa tem "predileção pela desgraça". Em editorial, o veículo diz que Lula não aceita críticas e interpreta o conceito de democracia como uma "concessão da sua vontade".

Em discurso sobre programa social "Territórios da Cidadania", Lula afirmou que a imprensa tem preferência por publicar reportagens que são uma "grande mentira", em referência a críticas a projetos sociais do governo federal.

No editorial, a Folha ressalta que em um regime democrático, uma das principais garantias é o direito à liberdade de opinião e expressão. O jornal afirma, porém, que para o presidente, tal conceito não é um "valor", mas sim um "capricho".

"O vezo autoritário do mandatário se torna flagrante quando o que está em questão é a divergência de opinião ou o compromisso com a liberdade de imprensa. Lula não tolera ser criticado e convive mal com os esforços de fiscalização de seu governo".

Durante o discurso, Lula chegou a afirmar que "é triste quando a pessoa tem a chance de escrever a coisa certa e não quer". Para o jornal, a afirmação "tosca" vai contra o próprio princípio da democracia que impera no país.

"A imprensa tem de ser livre, inclusive para errar e responder por isso perante seu público ou à Justiça sempre que for o caso. Essa liberdade atende sobretudo ao direito do cidadão de ter acesso a informações".

No texto, o jornal ainda comenta recente declaração polêmica do presidente, que chegou a comparar presos políticos cubanos com detentos comuns. A fala do governista, em um período em que o jornalista Guillermo Fariñas faz greve de fome pela libertação dos dissidentes, gerou críticas por parte de entidades de imprensa e de direitos humanos.

"Agora, ao criticar mais uma vez a imprensa, comporta-se como quem aspira à unanimidade - algo que está longe de ser um padrão democrático".

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