Para Gustavo Duarte, do Lance!, ilustradores não são valorizados por parte dos jornalistas
Para Gustavo Duarte, do Lance!, ilustradores não são valorizados por parte dos jornalistas
Para Gustavo Duarte, do Lance! , ilustradores não são valorizados por parte dos jornalistas
PorO sonho do cartunista Gustavo Duarte, que publica diariamente no jornal Lance! aquilo que classifica como "humor com opinião", passa longe de intenções de sucesso e notoriedade provenientes de suas realizações profissionais. Por vias oníricas, o paulistano vislumbra o dia em que receberá o título de cidadão do município que o acolheu - Bauru (SP) - em sua infância e contribuiu cabalmente para que ele, apoiado no bom-humor característico de seus habitantes, buscasse o cartoon como ganha-pão.
| Gustavo Duarte |
No plano da realidade, o modo positivo e despretensioso como refere-se a si mesmo ignora, talvez por esporte, como o próprio mercado e - pior - seus colegas de redação avaliam a importância do cartunista. Questionado pela reportagem do Portal IMPRENSA se a profissão, dentro das redações, é vista como uma atividade de "segundo plano", Duarte ironiza com voz firme, embasada com propriedade pelos seus mais de 12 anos de carreira. "Segundo plano?! Hmm..Nãããão...Quinto ou sexto, talvez!"
| Gustavo Duarte |
|
Duarte avalia que a profissão enveredou, por imposição ou não, pela via sem volta da desvalorização gradativa, em absoluto contraponto às décadas anteriores em que ao menos o talento, o fato de "desenhar", já demandava incontestável respeito. Hoje, segundo o cartunista de 32 anos, ouve-se, de canto de ouvido, referências infantis, depreciativas, a ele e a seus colegas. "Tem gente que considera [os cartunistas] como os garotos que desenham", conta.
| Gustavo Duarte |
|
Em defesa quase involuntária de sua classe, Duarte lembra que o trabalho final de um cartunista deve ser valorado - dado a sua genialidade e destreza em explicar uma ideia sem palavras - feito o texto de renomados cronistas. "As charges trazem opinião no desenho e isso não é qualquer um que faz. Quem faz a charge, faz crônica em desenho", observa."Uma charge do Angeli, que é uma das melhores coisas que saem nessa imprensa, por exemplo; não conheço ninguém que tenha um texto tão bom que se aproxime do que ele faz com desenho", acrescenta.
| Gustavo Duarte |
|
Paralelo ao Lance! , Duarte toca um projeto de quadrinho independente, a Revista CÓ !, cuja protagonista, sem explicações megalomaníacas de seu autor, é uma galinha. Lançada em agosto deste ano em uma convenção de quadrinhos em San Diego (EUA) - no que o cartunista apelidou de "world tour CÓ!" - a revista está disponível por meio de seu blog e de livrarias e casas especializadas nas cidades de São Paulo e Bauru (é claro). Em seguida, sem intenções mercadológicas, o cartunista explica que na primeira cena em que a bendita galinha é vista na publicação, explica, sem palavras, o motivo da escolha do galináceo como personagem central.
Quanto ao futuro da profissão, a vertente sonhadora do cartunista emerge mais uma vez e dá a sua previsão floreios de romance. "Acho que a gente deve brigar. Essa profissão foi importante por anos no país e a gente tem que lutar por isso; tem caras muito bons no Brasil, eles tem opinião, leem muito...Não sei como se perdeu isso [valor da profissão]", divaga Duarte.
| Reprodução |
|
Em bom tom, como traço finalizador do desenho espontâneo da entrevista, Gustavo Duarte sugere aos leitores de IMPRENSA que desejam entender melhor parte de sua veia satírica, que assistam aos episódios da "TV Pirata", sucesso na década de 1980, na TV Globo. Para ele, o programa resumia de forma bem aproximada um tipo de humor que serve como luva para a descrição do que é feito pelos cartunistas.
Leia mais
-
-






