Para Fenaj, decisão da Justiça no caso Santiago Andrade incentiva a impunidade

A entidade lamentou a decisão em nota publicada na última quinta-feira (19/3)

Atualizado em 20/03/2015 às 09:03, por Redação Portal IMPRENSA.

Em nota publicada na última quinta-feira (19/3), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) lamentou a decisão da 8ª Vara Criminal do Rio de Janeiro que desqualificou a ação dos responsáveis pela morte do cinegrafista Santiago Andrade como crime doloso.
Crédito:Reprodução/Facebook Entidade criticou a decisão da justiça que libertou acusados de matar o cinegrafista
"Crescem as bases da impunidade na violência contra jornalistas. A decisão agride a categoria no seu direito ao trabalho com segurança, e à sociedade brasileira, no seu direito à informação qualificada. Também amplia a sensação de insegurança pública e incentiva os que praticam atos de violências", pontuou a entidade.
Os desembargadores acataram o recurso da defesa de Caio de Souza e Fábio Raposo, que em fevereiro de 2014 dispararam um rojão que atingiu o cinegrafista durante protesto, levando-o à morte. O crime não será julgado como homicídio qualificado (dolo eventual, quando mesmo sem intenção, se assume o risco de matar), mas como explosão seguida de morte.
Além dos réus responderem ao processo em liberdade, não irão mais a júri popular. A dupla será sentenciada em uma vara criminal e, em vez da pena variável de 12 a 30 anos, poderão ser condenados a, no máximo, 8 anos de prisão.
"A Federação Nacional dos Jornalistas soma-se à perplexidade e revolta de familiares e amigos de Santiago Andrade, apoia o Ministério Público em recorrer da decisão e conclama, mais uma vez, as empresas e o Estado brasileiro a tomar medidas concretas de proteção aos profissionais de comunicação no exercício de suas funções e de combate à impunidade", finaliza.