Para Fábio Comparato, impunidade faz brasileiro não crer na política

Para Fábio Comparato, impunidade faz brasileiro não crer na política

Atualizado em 14/12/2007 às 18:12, por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.

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Nesta sexta-feira (14), encerrou-se o "1º Congresso Estadual dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo", iniciado na última quinta-feira (13). O evento foi realizado no anfiteatro Fernando Azevedo, da Secretaria de Estado e Educação, localizado no centro da capital paulista.

O segundo e último dia do encontro contou com a presença de importantes ex-integrantes da militância esquerdista durante a ditadura militar, combatentes à opressão do período e representantes do governo como o ministro Paulo Vannuchi (Secretário Especial dos Direitos Humanos), Dr.Paulo Abraão (Presidente da Comissão de Anistia) e o secretário-executivo do Ministério da Comunicação Social, Antônio Guimarães Fernandes.

Paulo Vanuchi deu início às palestra da tarde, destacando a importância do evento. O secretário entregou simbolicamente à comissão organizadora, o livro escrito por ele, "Direito à Memória e à Verdade". O trabalho reúne 473 casos investigados pela CEMDP (Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos), em 11 anos de atividade.

Dr. Paulo Abraão comentou o bom trabalho da Comissão de Anistia que, há seis meses sob seu comando, investigou e conclui mais de nove mil processos, número superior aos sete mil apurados durante todo o ano passado.

Outra personalidade presente foi o advogado Fábio Comparato, responsável pela defesa de dezenas de torturados pelo regime. Durante seu pronunciamento, Comparato lembrou que muitos dos torturadores ainda estão vivos e livres. Nesse momento, os presentes gritaram palavras de ordem e, em meio aos protestos, foi lembrado o nome do senador Romeu Tuma (PTB-SP).

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Comparato declarou ter a impressão de que os governos são muito mais fracos do que parecem. Para ele, não há força resistir às pressões econômicas e militares e, o que realmente importa, é permanecer no poder.

Quando questionado sobre a atual falta de interesse da população brasileira quanto às questões políticas, o advogado disse que "nos habituamos a baixar a cabeça [...], pois depois de vinte anos de arbitrariedades, torturas, homicídios e estupros, não houve punição".