Para evitar expulsão do Senado, Berlusconi quer revisão do caso Mediaset

O ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi garantiu, na última segunda-feira (25/11), que tem provas de sua inocência no caso Mediaset, pelo qual foi condenado à prisão por fraude fiscal na compra de direitos para TV, e pediu revisão do processo.

Atualizado em 26/11/2013 às 11:11, por Redação Portal IMPRENSA.

O pronunciamento foi realizado a dois dias da votação definitiva no Senado que provavelmente colocará fim a sua carreira política.

Crédito:Agência Brasil Berlusconi tenta revisão de processo sobre fraude na compra de direitos para Tv
"Temos à nossa disposição documentos que nos permitem pedir uma revisão diante do Tribunal de Apelação de Brescia, o que é garantido pela Constituição", disse Berlusconi durante uma coletiva na sede de seu partido em Roma.

De acordo com a EFE, as supostas provas de defesa são, segundo o político, 12 testemunhos, incluindo sete novos. Os documentos mostram que o empresário americano Frank Agrama, também condenado, não foi seu parceiro no esquema de corrupção e enganou tanto a Mediaset como o Tesouro dos Estados Unidos, que abriu uma investigação contra ele.

Berlusconi disse ainda que entre os testemunhos que serão apresentados ao Tribunal de Apelação há alguns que não foram aceitos na primeira e nem na segunda instância e que durante o processo 117 declarações em sua defesa foram afastadas pelos juízes.

O Supremo Tribunal da Itália confirmou em agosto a condenação de quatro anos de prisão contra Berlusconi, que serão reduzidos a um, segundo a legislação italiana, pelo crime de fraude fiscal cometido pelo Mediaset.

Com os novos documentos e pelo fato de ter recorrido às instâncias europeias, Berlusconi pede um adiamento da votação no plenário do Senado sobre a retirada de sua cadeira em aplicação da "lei Severino" do Governo de Mario Monti, que implica na expulsão de um parlamentar se o mesmo for condenado a mais de dois anos de prisão.

O empresário recorreu aos senadores do Partido Democrata (PD) do atual primeiro-ministro, Enrico Letta, que pretendem votar a favor da retirada de sua cadeira, mas também solicitou responsabilidade em resposta ao acordo governamental formado para tirar o país do bloqueio político depois das eleições de fevereiro.