Para Eugênio Bucci, quem perde com a morte de um jornalista é a democracia

Na quarta matéria da série sobre "Liberdade de Imprensa", o Portal IMPRENSA entrevista o acadêmico Eugenio Bucci. O jornalista, que já foi presidente da Rádiobrás, atualmente - além de colunista do Estadão -, é diretor do curso de jornalismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e professor da Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP).

Atualizado em 26/08/2011 às 15:08, por Luiz Gustavo Pacete.

sobre "Liberdade de Imprensa", o Portal IMPRENSA entrevista o acadêmico Eugenio Bucci. O jornalista, que já foi presidente da Rádiobrás, atualmente - além de colunista do Estadão -, é diretor do curso de jornalismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e professor da Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP).
Em seus artigos, entrevistas e aulas, Bucci não abre mão de defender o direito do jornalismo livre. Como professor, também se preocupa em formar novas gerações que defendam uma conquista que custou vidas: a liberdade de expressão.

Bucci falou sobre os casos de violência e agressão e defende que "prezar pelo jornalismo é defender a democracia". Ainda que ele admita que a imprensa erre, enfatiza que o jornalismo não pode ser desmoralizado, pois é instrumento fundamental para a democracia.

Portal IMPRENSA - Com base nos casos de agressão a jornalistas neste primeiro semestre você acha que a situação pode se agravar? Eugênio Bucci - Existe uma espécie de denominador comum cultural que foi alimentado até por algumas autoridades que permitiram fazer discursos raivosos contra a instituição da imprensa. Esse caldo dá base para que surjam picos de reação na imprensa. Um esforço de golpes, campanhas difamatórias de desestabilização do regime democrático. Em nenhum caso existe consonância entre essa tese e a prática brasileira. O que se verificou na prática foi que todas as reportagens que apontavam irregularidades das autoridades foram comprovadas por meio de investigações oficiais. Isso mostra a imprensa cumprindo seu papel. Mas o ataque à imprensa é desigual, pois as duas forças são incomparáveis.
IMPRENSA - Quer dizer que voltamos à discussão sobre a liberdade de atuação dos jornalistas? Bucci - Infelizmente, em nossa cultura existe margem para alguns que acham que o jornalista é veículo de algum mal, quando ele apenas abre campo para a discussão política. O jornalista é livre, não que ele seja imputável, mas arca com as conseqüências pelo que publicar. Ele é livre exatamente por causa disso. Quem não é capaz de arcar com as conseqüências do que diz não é um homem livre. É claro que existem erros da imprensa praticamente todos os dias, mas isso não pode ser uma contrapartida para impedir sua liberdade.
IMPRENSA - Tem relação com a vertente política? Bucci - Não é verdade que apenas a direita gosta de censurar; é por isso que esse problema é mais preocupante. Aliás, o nível de segurança com que trabalha o jornalista é um indicador da liberdade de imprensa no país. Uma sociedade que não preserva a segurança de seus jornalistas é uma sociedade que despreza o direito de segurança à informação de seus cidadãos. Quem perde quando um jornalista morre não é a família; quem perde é a sociedade de maneira em geral e também a democracia.
IMPRENSA - Quem efetivamente deveria tomar conta da segurança de jornalistas? Bucci - Nessa matéria nunca houve uma força pública para tomar conta dos jornalistas. Agora, precisamos levar em conta que o crime contra o jornalista normalmente envolve o concurso de quadrilhas que tem parte com corrupção e desvio de recursos públicos, interesses empresariais e partidários. Essas relações são constantes. Sempre que existe uma opressão vem de interesses organizados à margem da lei.

IMPRENSA - O que pode ser feito para resolver a questão da violência? Bucci - Que a lei seja mais eficaz. Não dá para ficar passando a mão nas costas de quem ultraja os representantes da imprensa, e claro que a imprensa deve primar pelo respeito a todas as pessoas. Eu tento ensinar isso na escola e nos textos que escrevo; tenho essa preocupação. A critica é indispensável, vigilante incisiva e melhora o debate ao exercício, mas agredir as pessoas é inaceitável.

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