Para Ed Viggiani, o envolvimento social serve como inspiração para fotografar
Para Ed Viggiani, o envolvimento social serve como inspiração para fotografar
"O fotógrafo vai sempre em busca do outro, para o outro se conhecer através de seu trabalho". Assim Ed Viggiani resume seu trabalho e sua trajetória profissional, que começou de uma maneira inusitada, quase como uma imposição do destino.
No fim dos anos 70, quando cursava Ciências Sociais na USP, deparou-se com um conflito entre uma multinacional e pescadores da praia de Trindade, no Rio de Janeiro, que corriam o risco de ser expulsos de suas terras. Ed começou a observar o trabalho de fotógrafos profissionais que foram até o local para fazer a cobertura, e o resultado de seu envolvimento foi a publicação de uma foto sua Jornal da Tarde retratando uma passeata dos pescadores em Paraty (RJ).
| Ed Viggiani |
Desde então, suas fotogarfias ficaram marcadas pela documentação social. "Meu trabalho é mais humanista e costuma ir na contramão. Por exemplo, se vou cobrir um jogo de futebol, procuro dar atenção ao que está ao redor do campo; os torcedores, os seguranças. Não é só o jogo que importa".
| Ed Viggiani |
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Autodidata, suas fotos continuaram sendo publicadas pelo JT e por revistas da editora Bloch, que editava a extinta Manchete . Em 1980 mudou-se para Fortaleza, onde trabalhou para o jornal O Povo e agências de propaganda. Depois foi para o Rio de Janeiro, para a sucursal da revista semanal IstoÉ . Ainda tem passagens por veículos como Veja, Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil, Ícaro e Quatro Rodas , entre outros.
| Ed Viggiani |
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Mas seu trabalho autoral é voltado para o lado social. Já documentou, por exemplo, o sertão de Canudos, o futebol de várzea e manifestações religiosas. "Meu trabalho está ligado à solidariedade, à documentação social de pessoas muito simples, mas de grande sabedoria. São essas pessoas anônimas que me inspiram e me levam para frente", afirma.
| Ed Viggiani |
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Ele acredita que as referências de um fotógrafo não podem ser só iconográficas ou visuais. Por isso, bebe na fonte da literatura. "Se você não tiver nada a dizer, não vai ser um bom documentarista, será apenas um cara técnico", diz Ed.






