Para Ed Viggiani, o envolvimento social serve como inspiração para fotografar

Para Ed Viggiani, o envolvimento social serve como inspiração para fotografar

Atualizado em 10/09/2008 às 17:09, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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"O fotógrafo vai sempre em busca do outro, para o outro se conhecer através de seu trabalho". Assim Ed Viggiani resume seu trabalho e sua trajetória profissional, que começou de uma maneira inusitada, quase como uma imposição do destino.

No fim dos anos 70, quando cursava Ciências Sociais na USP, deparou-se com um conflito entre uma multinacional e pescadores da praia de Trindade, no Rio de Janeiro, que corriam o risco de ser expulsos de suas terras. Ed começou a observar o trabalho de fotógrafos profissionais que foram até o local para fazer a cobertura, e o resultado de seu envolvimento foi a publicação de uma foto sua Jornal da Tarde retratando uma passeata dos pescadores em Paraty (RJ).

Ed Viggiani

Desde então, suas fotogarfias ficaram marcadas pela documentação social. "Meu trabalho é mais humanista e costuma ir na contramão. Por exemplo, se vou cobrir um jogo de futebol, procuro dar atenção ao que está ao redor do campo; os torcedores, os seguranças. Não é só o jogo que importa".

Ed Viggiani

Autodidata, suas fotos continuaram sendo publicadas pelo JT e por revistas da editora Bloch, que editava a extinta Manchete . Em 1980 mudou-se para Fortaleza, onde trabalhou para o jornal O Povo e agências de propaganda. Depois foi para o Rio de Janeiro, para a sucursal da revista semanal IstoÉ . Ainda tem passagens por veículos como Veja, Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil, Ícaro e Quatro Rodas , entre outros.

Ed Viggiani

Mas seu trabalho autoral é voltado para o lado social. Já documentou, por exemplo, o sertão de Canudos, o futebol de várzea e manifestações religiosas. "Meu trabalho está ligado à solidariedade, à documentação social de pessoas muito simples, mas de grande sabedoria. São essas pessoas anônimas que me inspiram e me levam para frente", afirma.

Ed Viggiani

Ele acredita que as referências de um fotógrafo não podem ser só iconográficas ou visuais. Por isso, bebe na fonte da literatura. "Se você não tiver nada a dizer, não vai ser um bom documentarista, será apenas um cara técnico", diz Ed.