Para diretor da ANJ, pessoas estão dispostas a pagar por informação de qualidade

Atualizado às 19h de 20/09/2011 O diretor-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, acredita que o papel da entidade é promover o debate acerca da atividade das empresas jornalísticas e as tendências para o futuro da mídia.

Atualizado em 19/09/2011 às 12:09, por Daniela Ades*.



O diretor-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, acredita que o papel da entidade é promover o debate acerca da atividade das empresas jornalísticas e as tendências para o futuro da mídia. Nos últimos dias 29 e 30 de agosto, a ANJ promoveu o VIII Seminário de Circulação, para comemorar o aumento no número de impressos no país e novos modelos de cobrança de conteúdo on-line.
Após o evento, que reuniu representantes de jornais como Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Grupo RBS e Lance! , Pedreira afirmou que as empresas chegaram ao consenso de que a cobrança por conteúdo on-line é "necessária e inevitável. No mundo todo, não apenas no Brasil, havia a percepção de que seria possível ter produção jornalística gratuita, tendo em vista o aumento da audiência e acreditando que a publicidade daria conta do recado (como a TV aberta). Só que isso não se revelou uma verdade para o jornalismo na internet". Ele citou o caso do New York Times, como um ponto de inflexão do mercado.
Empresas jornalísticas estudam a melhor maneira de se iniciar a cobrança. Alguns preveem a implantação de um modelo paywall dentro de cinco anos; outros, como Marcello Moraes, diretor-geral da Infoglobo, acredita que isso ocorra em seis meses. Caberá a cada veículo estudar o seu público leitor. "Há, ainda, muito a ser feito. As empresas têm feito isso separadamente, em seu mercado, pra ver quais são as demandas de seu público nas várias plataformas, pelo o que estão dispostos a pagar".
A ideia das empresas é disponibilizar as notícias hardnews gratuitamente em suas páginas, pois, são informações das quais a maioria dos veículos já dispõem, e cobrar por conteúdo exclusivo e diferenciado. "Não se pode pensar em um modelo único. Devemos pensar num caminho em que cada jornal consiga construir um modelo próprio que sustente a operação na internet". Pedreira afirma que o público leitor está disposto a pagar por informação de qualidade. "Hoje, já está demonstrado que coberturas especificas, de quem você gosta, isso tudo tem um valor e as pessoas estão dispostas a pagar".
A iniciativa pioneira do New York Times tornou-se tendência para os veículos mundiais. Para os veículos brasileiros, o esboço de um modelo de cobrança começa a tomar forma, porém, não significa que o conteúdo da informação será prejudicado. "O jornalismo tem um papel, que é o de colocar discussões em pauta, descobrir assuntos, isso é da essência da atividade e não vai deixar de existir", finalizou Pedreira.
* Com supervisão de Gustavo Ferrari
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