Para Dalcio Machado, editores não consideram a charge fundamental no jornalismo

Para Dalcio Machado, editores não consideram a charge fundamental no jornalismo

Atualizado em 12/09/2008 às 14:09, por Érika Valois/ Redação Portal IMPRENSA.

Por

Dalcio Machado, 36, viu surgir seu interesse pelo desenho na época em que morava em uma fazenda localizada em sua cidade natal, Campinas, interior de São Paulo. Ele conta que ficava observando seu pai - que era responsável pelo Haras - e que, nas horas vagas, costumava esculpir cavalos e bois em madeira, além de escrever músicas sertanejas. "Não aprendi a cuidar de cavalos nem a escrever música, mas aprendi a desenhar", lembra o chargista.

O também cartunista teve seu trabalho reconhecido desde cedo. Aos 13 anos de idade foi remunerado pela primeira vez ao publicar uma charge para um boletim do sindicato Pastoral Operária. "Foi como se tivesse publicado no The New York Times !", recorda entusiasmado.

Dalcio

Imprensa

Para ele, o Salão Internacional de Humor de Piracicaba foi um "divisor de águas". "Participei pela 1ª vez aos 14 anos, aos 15 fui selecionado, e não parei mais. Costumo dizer que aprendi a desenhar admirando as exposições do Salão de Pira. Foi lá que conheci a maioria dos meus ídolos como Ziraldo, Angeli, Paulo Caruso, Chico e Cárcamo", conta.

Aos 16 anos, Dalcio começou a trabalhar no jornal Correio Popular , de Campinas, onde atua até hoje. Quando o periódico completou 80 anos - em setembro de 2007 - ele foi convidado a publicar o livro "Correio Popular - Dalcio 80", com oitenta charges veiculadas entre 2003 e 2007. Sobre a obra, ele comenta: "Filho único, sabe como é, enche o pai de orgulho!".

Dalcio
Darwin

Questionado sobre o mercado de trabalho, o chargista afirma que, no Brasil, não há espaço suficiente para os profissionais da área. Ele diz que, no país, há dezenas de profissionais de nível internacional e que, apesar de terem o talento reconhecido, alguns deles precisam de outros empregos para se sustentar. "São poucos jornais e revistas para tanta gente boa", afirma.

Por isso, o cartunista defende os salões de humor como um meio democrático para garantir o acesso dos ilustradores aos meios de comunicação. "Por isso os salões costumam ter um nível tão alto e abrem as portas para todos. Daí, além da possibilidade de ganhar uma grana, podem trazer destaque e abrir algumas portas na imprensa", diz.

Dalcio
Imprensa

Ele acredita que a charge ocupa um espaço fundamental nos periódicos, ainda que, em sua opinião, editores e diretores de jornais não compartilhem a mesma idéia. "Se depender deles (editores e diretores), vamos lá para o fim da fila", afirma.

O também ilustrador, que já ganhou 93 prêmios no Brasil e no exterior, diz que seu trabalho é "bem variado" e que, no mesmo dia, chega a "fazer charge para um jornal, caricatura para uma revista e uma ilustração infantil para um livro. Se sobrar tempo, ainda mando um cartum para algum salão de humor".

Dalcio
Papa

Dalcio, que já criou para revistas como a Veja , a Playboy e a Exame, também já desenhou para jornais como o Diário do Povo e O Estado de S. Paulo , além de já ter feito algumas vinhetas para a TV Globo. Atualmente, ele mantém um para divulgar seu trabalho.