Para críticos, Record mostrou maturidade, mas errou na escolha de modalidades na Olimpíada
Estreante na transmissão exclusiva de Olimpíada na TV aberta brasileira, a Record voltou de Londres satisfeita com seu desempenho. Comemora
Ana Paula Padrão
35 horas de liderança na audiência da Grande São Paulo, tendo como ponto alto a final do futebol masculino entre Brasil e México, com média de 17 pontos em todo o país e de notáveis 26 no Distrito Federal.
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“A avaliação é altamente positiva. Tínhamos o compromisso de difundir o esporte olímpico no Brasil e cumprimos a nossa missão com um excelente trabalho em equipe. Além da audiência, é importante evidenciar que por trás dos números absolutos há um fator intangível e de extrema importância à Record: o reconhecimento pelos públicos telespectador e anunciante da capacidade da emissora em cobrir, com exclusividade, eventos e acontecimentos de grande porte", avalia o vice-presidente de jornalismo da emissora Douglas Tavolaro.
Crédito: Edu MoraesDouglas Tavolaro
Segundo a emissora, a cobertura envolveu a transmissão de 24 modalidades, atingindo 87% dos domicílios na Grande São Paulo e 86% a nível nacional. “Em todas as praças, consolidamos o segundo lugar isolado na audiência no horário mais importante da televisão aberta. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, a média geral foi de sete pontos, enquanto a terceira colocada ficou com cinco”, acrescenta.
No foco da crítica
Mais planejada, menos ufanista e mais madura do que a cobertura dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011. Assim, colunistas, críticos de TV e jornalistas da área esportiva avaliam, quase em uníssono, a performance da emissora paulista durante a 30ª edição dos Jogos Olímpicos.
“Foi mais profissional, com uma equipe mais bem preparada, em especial um ótimo time de narradores, e um tom bem mais sóbrio e menos ufanista que a experiência anterior”, afirma o repórter e crítico do portal UOL Mauricio Stycer.
Crítico de TV da Jovem Pan Online, José Armando Vanucci também viu progresso no trabalho da emissora em Londres. “Além de a equipe estar mais entrosada, a Record conseguiu resolver alguns problemas técnicos e achou o tom certo para a transmissão. Foi um passo positivo para consolidar uma tradição no esporte”, diz. Colunista e crítico de TV do portal R7, Daniel Castro concorda que “a emissora foi mais contida na torcida e no tom, tendo mantido uma cobertura ampla”.
José Armando Vanucci
O bom quadro geral não exime o canal, segundo os críticos, de deslizes e equívocos na estratégia da cobertura. Para Vanucci, em alguns momentos a emissora deixou a “impressão de que poderia ter escolhido melhor a modalidade a ser transmitida”. Segundo ele, certas falhas neste ponto podem justificar cortes durante a cobertura. “Às vezes, eles cortavam a cobertura para colocar o ‘Cidade Alerta’, e a gente sabe que quando fazem isso é porque a audiência estava baixa”, explica. “É uma decisão de programação, mas sai um pouco da coerência, já que foram transmitidos vários esportes que não têm espaço na TV aberta”, diz Castro.
Para Stycer, apesar de natural, a preocupação com a audiência pareceu excessiva por privilegiar “longas transmissões de eventos como ginástica, saltos ornamentais ou nado sincronizado, cujo apelo plástico talvez renda audiência, mas cujo interesse esportivo é bem menor do que outras disputas que ficaram em segundo plano na cobertura“.
Luiz Antônio Prósperi, editor geral de esportes do jornal O Estado de S. Paulo , concorda com a evolução geral do canal nos Jogos, mas pondera sobre a atuação de alguns âncoras que, segundo ele, estavam “mais preocupados em dar um tom de entretenimento aos Jogos do que informação jornalística”.
A “desafiante”
Durante os 16 dias de competições, a SporTV liderou de maneira absoluta a audiência na TV paga,
Crédito:Flávio Florido/UolMaurício Stycer
com 44% de pontos a mais do que o segundo colocado, segundo esclarece a emissora. O canal garante ainda que foram 1600 horas de transmissão, sendo 750 eventos de eventos ao vivo.
"Foi o maior esquema de cobertura de um único evento já realizado no Brasil. No mesmo período, a TV aberta ofereceu apenas 165 horas de eventos ao vivo, segundo a divulgação do próprio canal concorrente. Isto mostra bem a diferença que faz a paixão e o foco em esportes, numa hora dessas", declara Raul Costa Jr., diretor de conteúdo dos Canais SporTV.
Pela primeira vez, o canal cobriu o evento sem o respaldo da TV Globo, o que dificultou mais ainda o embate com a Record. “Pelas atitudes [da Record], sabíamos que teríamos dificuldades na cobertura”, diz. Segundo Costa, das 120 credenciais pedidas, só 36 foram liberadas. “Mas enviamos os 36 credenciados, e montamos uma estrutura técnica e operacional por fora com mais 101 pessoas”.
Entre os críticos, a avaliação da “desafiante” foi positiva. “Como um canal especializado em esporte, a SporTV cumpriu esse papel de especialista”, comenta Castro, do R7. Já Vanucci acredita que a repercussão da cobertura do canal fechado pareceu maior que o da Record, o que segundo ele ajudou a SporTV a incomodar a emissora paulista. Prósperi, do Estadão , endossa a opinião, destacando, porém, que o canal não foi bem com as mesas de debate fechando a programação. “Na sua maioria, foram bem ufanistas, sem uma análise mais rigorosa”, pondera.
Stycer, da UOL, destaca que a participação do Galvão Bueno foi muito negativa. “O seu mau-humor chamou a atenção em diversos momentos, além de ter protagonizado o momento mais grotesco dos Jogos na TV ao brigar ao vivo com o Renato Maurício Prado por causa de uma piada”.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves






