Para Cris Alencar, "o ilustrador não é nenhum Michelangelo"

Para Cris Alencar, "o ilustrador não é nenhum Michelangelo"

Atualizado em 24/10/2008 às 18:10, por Érika Valois/ Redação Portal IMPRENSA.

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A paulistana Cris Alencar, 26, começou a se interessar pelo desenho quando criança, por volta dos sete anos de idade. Ela conta que a parede funcionava como uma extensão do papel e que "na escola gostava de desenhar mais do que as outras crianças".

Na adolescência, quando tinha aproximadamente 17 anos de idade, deixou de lado o desenho para se dedicar a um curso técnico de publicidade. Mas, por volta dos 20 anos, quando se viu acometida por uma pneumonia - que a deixou de cama por pelo menos três meses - voltou a rabiscar. "Não tinha nada para fazer. O desenho funcionou como uma espécie de terapia", conta.

Cris Alencar

Desde então, Cris passou a se dedicar mais à arte da ilustração. Estudou, montou um portfólio e criou uma página na internet. "Melhorei minha técnica e passei a procurar agências. Foi aí que comecei a publicar em sites e folders", lembra.

No início de 2007, Cris procurou a Walt Disney e, depois de um teste, foi aprovada para trabalhar para a empresa. Hoje ela figura como a única mulher brasileira a pintar para as publicações da companhia no exterior. "Eles me passaram um desenho do Vicar [desenhista da Disney]. O desafio era dar profundida à imagem. Eles gostaram do que eu fiz e comecei a trabalhar com eles. A partir daí, passei a pintar pôsteres e calendários. Agora estou participando da criação de um calendário dos 75 anos do Pato Donald que está em fase de pré-produção", revela.

Cris Alencar

Além de fazer pinturas para a Disney, a profissional também já criou para a Editora Abril e faz freelas para os Correios, como o selo que foi publicado, em março deste ano, no Memorial da América Latina, em São Paulo, em homenagem ao centenário do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer.

No que diz respeito ao mercado de trabalho, a desenhista considera a disputa acirrada e diz que é preciso se esforçar muito para ganhar visibilidade na área. "É muita concorrência, principalmente aqui em São Paulo. Tem que se dedicar bastante porque tem muita gente boa aparecendo todos os dias", acredita.

Cris Alencar

Na hora de criar, a ilustradora diz que prefere não depender de inspiração para desenhar e procura ser o mais técnica possível. "O ilustrador não é nenhum Michelangelo. Se estou inspirada, ótimo, vou trabalhar muito bem, mas quando não estou inspirada tenho que trabalhar do mesmo jeito, então prefiro ser bastante técnica com relação a isso", diz

Apesar de ser apaixonada pela profissão, Cris reclama do tratamento dispensado aos ilustradores no país. "Falta valorizar nosso trabalho. As editoras nacionais, por exemplo, muitas vezes demoram a pagar, publicam as imagens diversas vezes e querem que tudo esteja pronto para ontem. Minha profissão é muito legal, mas o Brasil tem muito o que aprender", afirma.

Desenho: Vicar/Pintura: Cris Alencar

Para ela, fora do país há um reconhecimento maior desse tipo de trabalho, seja no que diz respeito aos prazos - que são maiores - aos pagamentos, ou com relação ao reconhecimento daquilo que é produzido. "Lá fora já se entende que o profissional demorou muito até chegar naquele ponto".


Atualmente, Cris mantém um e um para divulgar seu trabalho e faz pinturas direcionadas ao público infantil e ilustrações voltadas para agências de publicidade.