Para Cau Gomez, "a imprensa desistiu de considerar o cartum um tipo de jornalismo"

Para Cau Gomez, "a imprensa desistiu de considerar o cartum um tipo de jornalismo"

Atualizado em 15/08/2008 às 17:08, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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Apesar de completar 20 anos de profissão agora em 2008, o ilustrador mineiro Cau Gomez mantém a vivacidade do começo, agregada à placidez da experiência. Afinal, são quatro dezenas de prêmios, recebidos não apenas no Brasil; seus cartuns foram exibidos e premiados em países como Turquia, Cuba, Grécia, Espanha, Irã, Portugal e Itália.

Cau Gomez
Real

Cau começou sua carreira em 1988, aos 16 anos, na redação do jornal Diário de Minas . "Quem me deu meu primeiro emprego foi o Sebastião Martins. Eu mostrei as minhas caricaturas e ele me tratou de uma maneira super profissional. Me contratou e perguntou o que eu achava do salário. Eu nunca tinha recebido um salário e, introspectivo, respondi que estava bom. Mas por dentro eu soltava rojões", conta.

Com passagens por veículos consagrados como O Estado de S. Paulo , Jornal do Brasil , Playboy , Pasquim e Veja , entre outros, o ilustrador colabora com a revista francesa Courier International e no momento mora na Bahia, onde é designer gráfico do jornal local A Tarde .

Cau Gomez
Ronaldinho Gaúcho

Mas ele também exerce o papel de cartunista, fazendo a cobertura política das eleições à Prefeitura de Salvador, capital baiana. "Dá pra soltar a imaginação e anexar seus pensamentos à notícia. Acompanho política, e como cidadão é uma maneira interessante de eu me expressar", explica Cau.

Cau Gomez
Rusgas

Em 2007, ele foi à França para o Ridep, encontro mundial de desenhistas da imprensa. Convidado para criar o cartaz oficial do evento, volta para a edição de 2008. Além disso, vai para o Chipre, agora em agosto, e depois parte para um intercâmbio no Irã.

Cau Gomez
Saci

Grande parte dessas conquistas ele credita à Internet, que permite a ampla divulgação de trabalhos de artistas sem espaço na grande imprensa. Cau acha que a categoria não recebe os mesmos estímulos que os jornalistas e fotógrafos. "Os prêmios direcionados à imprensa praticamente aboliram o humor gráfico. Acho que a imprensa desistiu de considerar o cartum um tipo de jornalismo".