Para a jornalista Úrsula Vidal, quem trabalha na Amazônia está no "olho do furacão"

Para a jornalista Úrsula Vidal, quem trabalha na Amazônia está no "olho do furacão"

Atualizado em 11/08/2008 às 17:08, por Érika Valois/ Redação Portal IMPRENSA.

De segunda à sexta-feira, a jornalista Úrsula Vidal, 36, já conhecida do público paraense, entra nas residências dos telespectadores locais à frente da bancada do telejornal "SBT Pará". Aos sábados, ela reaparece na televisão no comando do programa de entrevistas "Etc. e Tal". Dona de uma voz forte e marcante, ela já foi locutora do programa "Fantástico" e da TV Educativa, ambos da rede Globo.

No início da carreira, aos 15 anos, Úrsula fez locução para três rádios de Belém, capital do Pará. Aos 17, ela trocou as emissoras de rádio pela televisão. De lá para cá, a jornalista atou como apresentadora da TV Cultura, de Belém, e do Telecine (canais Globosat) - na cidade do Rio de Janeiro -, onde também exerceu funções de repórter e editora. De volta à cidade das mangueiras, em 2001, ela assumiu a Edição Regional do SBT Belém, cargo que exerce atualmente.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Úrsula falou dos prazeres e das dificuldades de se fazer telejornalismo na Amazônia. Para ela, trabalhar na região é estar "no lugar certo, na hora certa". A editora do SBT Belém admite, no entanto, que a distância e a falta de infra-estrutura encarecem e dificultam a cobertura local, mas afirma que o jornalismo televisivo está em "franca expansão" no Pará. Ela destacou o investimento "agressivo" feito pela Record, que tem impulsionado outras emissoras a mudarem de estratégia para garantirem uma concorrência equilibrada, fato que, na opinião dela, "é bom para os profissionais, para o mercado e para os telespectadores".

Redação Portal IMPRENSA: Quais as vantagens e desvantagens de se fazer telejornalismo no Pará?
Úrsula Vidal: Estamos no "olho do furacão". Trabalhar na Amazônia é estar no lugar certo, na hora certa. A dificuldade fica por conta da logística. A notícia, muitas vezes, está longe e a cobertura é caríssima aqui na região.

Portal IMPRENSA: Como se dá a cobertura nos interiores? A falta de infra-estrutura da própria emissora e a carência de profissionais capacitados nesses locais dificultam essa tarefa?
Úrsula: É a conjunção desses fatores que dificulta a cobertura. São praças onde a circulação de mídia é pequena. Aí, o investimento em equipamento e em pessoal acaba comprometido. Muitas cidades não têm nem banda larga. Enviar conteúdo de praças pequenas é sempre uma maratona.

Portal IMPRENSA: Em relação à Rede do SBT, em São Paulo, o que é priorizado na hora de selecionar o que deve ser veiculado sobre o Pará e o que você acha que deveria ser valorizado?
Úrsula: No ranking feito mensalmente pela Rede, o Pará sempre fica bem posicionado. A região rende muita matéria. A questão é que as "más notícias" sempre têm mais apelo factual. Mas essa é uma regra geral.

Portal IMPRENSA: Como você avalia o telejornalismo paraense?
Úrsula: Nada como uma boa concorrência para mobilizar a classe. Estamos em franca expansão. Falo de quase todas as emissoras do Pará. A cobertura televisiva tem estado mais independente. E o investimento tem sido visível. Para melhorar, basta integrar e qualificar essa rapaziada do interior que dá um duro danado para fazer bem feito.

Portal IMPRENSA: No que diz respeito ao SBT de Belém, você acha que deve haver mais investimento em infra-estrutura e em contratações de profissionais?
Úrsula: Estamos caminhando nesse sentido. Somos uma Regional do grupo SBT, o dono aqui é o Silvio Santos. Isso garante uma independência editorial fantástica, além da credibilidade, que tem sido nossa marca. Em oito anos de SBT, já vi três novos programas locais entrarem na grade e a estrutura de pessoal dobrar. Com o SBT Belém assumindo o papel de "cabeça de Rede" da região Norte, gerando o sinal de São Paulo e a programação local, a tendência é nos fortalecermos comercial e jornalisticamente.

Portal IMPRENSA: Com relação a concorrência, pode-se dizer que o SBT compete de maneira equilibrada com as afiliadas da Globo, da Record e da Bandeirantes em Belém?
Úrsula: Acho que cada núcleo de jornalismo tem sua característica. É inegável que os investimentos da Record, em todo o Brasil, tem sido muito agressivos, o que vem mexendo no formato adotado por todas as outras emissoras. Mas isso é bom para os profissionais, para o mercado e para os telespectadores. Nossos projetos de integração regional tem andado mais rápido e dado uma resposta positiva para o nosso público. O negócio é não se acomodar.