Pan-Americanos dão início à corrida de emissoras por grandes eventos esportivos

A estreia da Record na transmissão exclusiva dos Jogos Pan-Americanos marca uma mudança no mercado de TV e abre oportunidades para o crescim

Atualizado em 05/10/2011 às 20:10, por Ana Ignacio e Guilherme Sardas.

Enquanto a Globo transmitia os populares desfiles de carnaval madrugada adentro e preparava os compactos com os melhores momentos para veicular no dia seguinte, a Record seguia com uma programação um tanto diferente da arquirrival. No lugar de mulheres seminuas, transmitia competições esportivas pouco conhecidas pelo público brasileiro: curling, bobsleigh, combinado nórdico. Eram os Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver, de 2010. Pela primeira vez em muitos anos, os telespectadores de TV aberta tiveram a opção de assistir uma programação diferente durante o feriado da terça-feira de carnaval, tradicionalmente marcado pelos desfiles das escolas de samba. Com uma média inesperada de sete pontos de audiência - e picos de dez -, o evento foi o primeiro sinal do projeto olímpico da emissora, que, pela primeira vez, detém os direitos exclusivos de transmissão de eventos como o Pan- 2011, em Guadalajara - com início neste dia 14 - as Olimpíadas de Londres, de 2012, e do Pan-2015, em Toronto (deste, possui os direitos mundiais de transmissão). "Quando você compra os direitos de uma Olimpíada, você compra as duas: a de verão e a de inverno. O concorrente [a TV Globo] sempre teve esses direitos, mas nunca exibiu a de inverno", explica Sérgio Hilinsky, gerente de esportes da Rede Record.

O vasto arsenal mira o plano maior da empresa: solapar a hegemonia da Globo e ganhar pontos de audiência nos próximos anos. O cenário levanta antigas questões da pauta de direitos de transmissão de importantes eventos como o grande interesse das emissoras em esporte, dúvidas sobre possíveis mudanças no cenário de TV aberta e TV paga, crescimento da internet no mercado e os reflexos disso tudo para o telespectador e os próprios eventos em si. Isso porque, detentora dos direitos do Pan-2011, a Record não fechou acordo com nenhum canal fechado para o repasse dos direitos de transmissão dos jogos. Dessa vez, o público brasileiro verá a competição pela emissora paulista ou por seu braço all news, a Record News. Fora das telinhas, a opção é o portal Terra, que adquiriu os direitos de transmissão na internet e celular.

Confiando em uma megaestrutura com 700 metros quadrados, além de mais de 200 profissionais in loco, a expectativa da Record é superar o sucesso de Vancouver: "É uma competição que traz um Brasil vitorioso, ganhamos três ouros por dia. A questão aqui não é curiosidade [como nos jogos de inverno], mas a torcida. Além disso, o público está acostumado a ver esses esportes", explica Hilinski.

Leia a matéria completa na edição 272 de IMPRENSA.

Assinantes da Revista IMPRENSA podem ler a revista na íntegra na web. Clique para acessar