Palavrões e tapinhas para cá e para lá...

Palavrões e tapinhas para cá e para lá...

Atualizado em 09/06/2009 às 17:06, por Alberto Chammas.

O estádio estava lotado. Não havia marcação de lugares e nem divisão entre os torcedores de times diferentes, mas o máximo que acontecia era alguns palavrões, socos e pontapés. O homem mudou, ou melhor, os critérios da educação e que estão falidos.

Recordo como se fosse hoje. Aliás, com imensa saudade em meu peito que chora. Era uma festa. Primeiro que acordava tarde e após o maravilhoso almoço de domingo, ficava ansioso no aguardo de meu tio Tato. Um Tricolor fanático, que na vida teve a fracassada missão de transformar esse humilde colunista em São Paulino. Meu tio era, não, é, está vivo, meio maluco. Falar dele daria um livro. Histórias malucas e fantásticas, como a de um também domingo de futebol que ao sairmos de sua casa, ele morava com meu avô, seu carro morreu. Pediu, melhor, mandou que eu e meus primos, com 14 e 15 anos, empurrássemos o carro. Dito e feito e com a raça do time do Corinthians, força e dedicação, colocamos o carro, um SP2 para andar. Vibramos, pulamos de alegria, mas durou pouco. Ele partiu e nos largou na Avenida Ibirapuera. Não fomos ao jogo. Foi somente ele. Já de noite, ele afirmou que não parou o carro com medo que ele morresse. Histórias de meu tio Tato. Mas, o aguardava para mais um Corinthians e São Paulo. O dia era de festa, pois estrearia minha nova bandeira, enorme, linda, feita por minha mãe.

Ao chegarmos ao Morumbi a correria para entrar na arquibancada, pois para variar estávamos atrasados. Corri que nem louco para a entrada de acesso. Ao entrar um momento de consagração: a minha bandeira passava sua energia e vibração ao meu Timão.

O Corinthians já estava em campo. Bem, na verdade o jogo já havia começado. Geraldão com ela. Tocava para meu grande ídolo, o Super Zé. Total consagração!

Mas, tudo parecia ir tão bem, quando começo a ouvir uma vaia. Vaia e mais vaias. Gritos de gordo veado! Gordo Veado! E Gritos de F.da P...! Quando um objeto não identificado acerta minha cabeça. E outro, outro e mais outro. Percebo que os identifiquei. Eram laranjas. Laranjas, um complexo vitamínico em mim. Levei umas 50 laranjadas e quando olho para trás só via torcedores, na maioria, grande maioria da torcida do São Paulo.

E eu com a minha nova bandeira, com as cores do Timão, ex-novinha, virou bandeira da Holanda, toda laranja. Corri para o anel do estádio. Um torcedor veio a minha direção e acredite internauta, me pediu desculpas. Se fosse hoje, penso, estaria morto com minha bandeira na mão. O que mudou no comportamento humano?

O que mudou na Polícia?

O que mudou no Ministério Público?

Não sei.

Eu não sei quem é pior: o delinqüente que agride e mata, policiais que se promovem com o futebol, dirigente que só sabe lamentar ou profissionais do Ministério Público que usam o futebol como escada para carreiras políticas. Sobra para você torcedor, já que na verdade, é igual ao Movimento sem Terra, na hora que derem terra para todos, será que seus lideres pegarão nas devidas enxadas?

Sou a favor da proteção da sociedade.

Acredito que futebol e polícia não combinam. Sou a favor da proibição da presença da PM em jogos de futebol. Sem polícia, você torcedor iria a uma partida de futebol?

Não?

Mas ela está lá para dar segurança e acontece a violência, morte e incêndios, e então?

Ah! Foi fora do estádio? Mas, já tivemos mortes dentro e devido aos atos praticados dentro de um estádio. Será que se toda a responsabilidade fosse passada aos clubes a história não mudaria?

Será que um time de futebol jogaria para sua torcida sem a presença da polícia?

Eu disse jogar para sua torcida. Jogaria?

Não pagam aproximadamente um milhão, ou mesmo cem mil para um jogador, qual o motivo não pagar um pouco mais e ter a própria segurança particular dentro da praça esportiva?

Deixo essa pergunta: seu time jogaria para você sem a presença da PM?

Daqui a pouco teremos o papa-estádio. Um estádio para a Copa do Mundo. Todinho cercado de vidro, proteção total contra seus torcedores. Afinal, futebol é a paixão nacional e já ouvi falar que de amor, também se morre!