Pai de jornalista afirma que governos "condenam" cidadãos ao não negociar com EI
Familiares do jornalista norte-americano decapitado pelo Estado Islâmico criticam governos aliados por não negociar com o grupo extremista.
Atualizado em 07/10/2014 às 17:10, por
Redação Portal IMPRENSA.
Os pais do jornalista norte-americano James Foley criticaram a atitude de governos ocidentais de não negociar com o grupo extremista Estado Islâmico (EI). O filho do casal foi decapitado pela organização fundamentalista, que justificou o ato como represália aos ataques aéreos contra suas forças no norte do Iraque. Para a familia do repórter, evitar acordos com os jihadistas está “condenando os cidadãos à morte”.
Crédito:Reprodução Pai do jornalista (foto) diz que governos estão condenando sequestrados à morte
Segundo o jornal britânico Independent , Diane e John Foley citam como exemplo os dois países mais afetados pela ofensiva extremista, Estados Unidos e Reino Unido. Ambos mantêm uma posição clara quanto à questão: não negociam com ‘sequestradores’. Ao contrário dos demais aliados na região, que não manifestam um parecer conclusivo sobre um eventual acordo para libertar presos políticos.
Na visão de americanos e britânicos, pagar a libertação de um refém pode ser um instrumento utilizado pelos terroristas para alimentar seu caixa financeiro. No entanto, tal posicionamento pode vitimar vidas inocentes, como a de Foley. Os pais do jornalista pediram para que sejam repensadas as políticas de resgates e negociação com terroristas "para ver se elas estão servindo as pessoas".
Em entrevista ao “BBC Radio 4's Today”, John alerta que se continuar tratando os casos que envolvem o EI dessa forma, está “condenando cidadãos – da América e da Grã Bretanha - à morte”. "Nós seremos relegados a comprar notícias e informação sobre esses incidentes de países que protegem seus jornalistas e auxiliam os profissionais de um modo mais intenso", afirmou.
A declaração do pai do repórter foi feita dias depois do grupo extremista anunciar a decapitação de mais um britânico. Alan Henning, um voluntário que trabalhava para uma organização não governamental na região, foi o quarto na série de brutais assassinatos dos fundamentalistas em resposta aos ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos e Reino Unido no Iraque e na Síria.
John disse ainda que recebeu e-mails dos sequestradores, mas foi dada uma simples orientação sobre como respondê-los. "Fomos deixados como uma família para escrever e-mails. Nosso FBI analisou-os e acrescentou uma ou duas palavras, queríamos tentar negociar e precisávamos de especialistas para fazer isso, eles [EI] não queriam falar conosco", conta John Foley.
O casal também alegou que só foi informado sobre as fracassadas tentativas de negociação lideradas pelos Estados Unidos após a morte de Foley, quando teriam recebido um telefonema do presidente norte-americano Barack Obama. John relata que sua família não recebeu quaisquer informações sobre o que estava sendo feito para libertar o jornalista. “Eles não podiam nos contar nada", declara.
Resgate nunca foi descartado pelo casal
Os pais do repórter James Foley também concederam uma entrevista sobre a morte do filho à BBC News na noite da última segunda-feira (6/10). Ambos afirmaram, na ocasião, que tentaram levantar dinheiro para o resgate, já que não tinham ideia sobre as medidas governamentais a fim de viabilizar a libertação. No entanto, um eventual acordo, à épóca, poderia resultar num processo contra o casal.
"Bem, no fim das contas, parecia que esse era o jeito com que todo mundo estava caindo fora". explica John. "Tivemos conselho legal e começamos a aceitar ajuda na esperança de que poderíamos negociar, pois não sabíamos se o nosso governo estava negociando em tudo”. Ele revelou que teria recebido uma informação sobre o paradeiro do jornalista seis meses antes de sua morte.
"Nós estávamos esperançosos de que os especialistas fariam o que fosse necessário para que isso aconteça [garantir a libertação de James]. Eu, pessoalmente, acho que todo mundo subestimou o EI”, relatou. O casal também expressou arrependimento por não ter ido mais a público depois que o grupo extremista ameaçou a vida de seu filho.
“Nós sentimos que deveríamos ter continuado a falar ao público sobre nossa situação, pois, de outro modo, nesse nosso grande país, com tantos problemas, é muito fácil que ele e os outros sejam totalmente esquecidos”, conclui.
Assista ao .
Crédito:Reprodução Pai do jornalista (foto) diz que governos estão condenando sequestrados à morte
Segundo o jornal britânico Independent , Diane e John Foley citam como exemplo os dois países mais afetados pela ofensiva extremista, Estados Unidos e Reino Unido. Ambos mantêm uma posição clara quanto à questão: não negociam com ‘sequestradores’. Ao contrário dos demais aliados na região, que não manifestam um parecer conclusivo sobre um eventual acordo para libertar presos políticos.
Na visão de americanos e britânicos, pagar a libertação de um refém pode ser um instrumento utilizado pelos terroristas para alimentar seu caixa financeiro. No entanto, tal posicionamento pode vitimar vidas inocentes, como a de Foley. Os pais do jornalista pediram para que sejam repensadas as políticas de resgates e negociação com terroristas "para ver se elas estão servindo as pessoas".
Em entrevista ao “BBC Radio 4's Today”, John alerta que se continuar tratando os casos que envolvem o EI dessa forma, está “condenando cidadãos – da América e da Grã Bretanha - à morte”. "Nós seremos relegados a comprar notícias e informação sobre esses incidentes de países que protegem seus jornalistas e auxiliam os profissionais de um modo mais intenso", afirmou.
A declaração do pai do repórter foi feita dias depois do grupo extremista anunciar a decapitação de mais um britânico. Alan Henning, um voluntário que trabalhava para uma organização não governamental na região, foi o quarto na série de brutais assassinatos dos fundamentalistas em resposta aos ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos e Reino Unido no Iraque e na Síria.
John disse ainda que recebeu e-mails dos sequestradores, mas foi dada uma simples orientação sobre como respondê-los. "Fomos deixados como uma família para escrever e-mails. Nosso FBI analisou-os e acrescentou uma ou duas palavras, queríamos tentar negociar e precisávamos de especialistas para fazer isso, eles [EI] não queriam falar conosco", conta John Foley.
O casal também alegou que só foi informado sobre as fracassadas tentativas de negociação lideradas pelos Estados Unidos após a morte de Foley, quando teriam recebido um telefonema do presidente norte-americano Barack Obama. John relata que sua família não recebeu quaisquer informações sobre o que estava sendo feito para libertar o jornalista. “Eles não podiam nos contar nada", declara.
Resgate nunca foi descartado pelo casal
Os pais do repórter James Foley também concederam uma entrevista sobre a morte do filho à BBC News na noite da última segunda-feira (6/10). Ambos afirmaram, na ocasião, que tentaram levantar dinheiro para o resgate, já que não tinham ideia sobre as medidas governamentais a fim de viabilizar a libertação. No entanto, um eventual acordo, à épóca, poderia resultar num processo contra o casal.
"Bem, no fim das contas, parecia que esse era o jeito com que todo mundo estava caindo fora". explica John. "Tivemos conselho legal e começamos a aceitar ajuda na esperança de que poderíamos negociar, pois não sabíamos se o nosso governo estava negociando em tudo”. Ele revelou que teria recebido uma informação sobre o paradeiro do jornalista seis meses antes de sua morte.
"Nós estávamos esperançosos de que os especialistas fariam o que fosse necessário para que isso aconteça [garantir a libertação de James]. Eu, pessoalmente, acho que todo mundo subestimou o EI”, relatou. O casal também expressou arrependimento por não ter ido mais a público depois que o grupo extremista ameaçou a vida de seu filho.
“Nós sentimos que deveríamos ter continuado a falar ao público sobre nossa situação, pois, de outro modo, nesse nosso grande país, com tantos problemas, é muito fácil que ele e os outros sejam totalmente esquecidos”, conclui.
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