SJSP - Repórter fotográfico de agências sofre ameaças de GCM na 25 de Março 

SJSP - Repórter fotográfico de agências sofre ameaças de GCM na 25 de Março

Atualizado em 25/08/2006 às 17:08, por Fonte - Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo.

SJSP - Repórter fotográfico de agências sofre ameaças de GCM na 25 de Março

Mais uma denúncia de agressão contra repórter fotográfico chegou ao SJSP nesta semana. Mário Ângelo dos Santos, que faz trabalhos para as agências Futurapress, Folha e Estado, foi ameaçado de prisão e agredido por guarda civis metropolitanos ao registrar uma blitz nos camelôs da 25 de Março. O episódio ocorreu no último sábado (19/08).

Santos recorreu à PM, mas não houve nenhuma ação para registrar o ocorrido. Leia abaixo o relato que o jornalista encaminhou para o Sindicato e para a Arfoc (Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos) na última segunda-feira (21/08):

"São Paulo, 21 de agosto de 2006

No último sábado estava na rua 25 de Março acompanhando a movimentação de GCMs (guardas civis metropolitanos) e fiscais da subprefeitura na blitz contra os camelôs ilegais., quando começou um corre-corre entre os camelôs, fugindo da fiscalização. Assim, eu, Mário Ângelo, peguei minha máquina e comecei a fotografar os GCMs tirando as mercadorias dos camelôs, gritando para que (eles) não ficassem mais por ali.

O motivo dos GCMs é que entre quinta e sexta houve confronto entre os camelôs e os guardas, muita gente saiu ferida e hospitalizada entre as duas partes.

Um oficial da GCM me pediu a identificação e disse que eu não tinha autorização para fotografar. Eu me identifiquei ao oficial, mostrando a carteira funcional de repórter fotográfico, mas ele pediu para mostrar a funcional do veículo para qual eu trabalhava. Disse a ele que trabalhava para agências, e o GCM oficial queria que eu não fotografasse e iria me prender. Eu disse que ele poderia me prender, mas (eu) iria continuar a fotografar.

Quando outros GCMs vieram para cima de mim, me intimidando, (causando) constrangimento, eu peguei meu celular e disse que iria chamar a PM (Polícia Militar). Contei para o COPOM sobre o ocorrido e me disseram para esperar no local onde estava, na rua 25 de Março (nº) 1105. Continuei acompanhando a fiscalização, fotografando.

Mais tarde, os GCMs apareceram pela 25 de Março, cruzamento com a Ladeira Porto Geral, houve muita correria entre os camelôs e os GCMs pegam uns e outros camelôs com mercadorias. Até que uma moça camelô começou a gritar com os GCMs, eu tirei algumas fotos, e um GCM, que tinha pegado uma tábua de camelô, me bateu num dos braços com a madeira, dizendo que eu era folgado e gostava de fotografar. (...) Houve uma discussão. E continuei a fotografar os acontecimentos do local. Alguns camelôs, homens e mulheres, passavam perto de mim e diziam: Olha, cuidado que os GCMs estão de olho na sua câmera, disseram que vão pegar, ou quebrar a máquina...Assim fui até uma viatura da PM, falei com o policial e ele me disse que eu somente estaria supondo um acontecimento que poderia vir a acontecer (sic). Assim, por bem de preservação da minha integridade, resolvi ir embora, já que os GCMs tentaram me chutar e me xingavam, olhando feio para a minha pessoa (sic). Conclusão: os GCMs não querem que os fotógrafos registrem os acontecimentos na rua 25 de Março.

Mário Ângelo dos Santos, repórter fotográfico, Mtb 29878"