SJSP: Editora Três atrasa novamente os salários
SJSP: Editora Três atrasa novamente os salários
SJSP: Editora Três atrasa novamente os salários Os problemas continuam na Editora Três. Uma circular interna distribuída recentemente aos jornalistas dá a dimensão do drama pelo qual eles passam: o adiantamento salarial de fevereiro, que deveria ser pago até o dia 20 de janeiro, deverá ser depositado ainda nesta semana. Quanto ao pagamento dos salários de janeiro, que deveria ocorrer até segunda-feira, 5, diz o comunicado, só será pago no dia 17.
Ao problema - no mínimo preocupante - soma-se pelo menos um agravante: é uma incerteza na redação se as datas serão ou não cumpridas e se os PJs e frilas fixos, abundantes na Três, receberão junto com os contratados nas datas prometidas. A fundamentação para tal dúvida é a experiência acumulada nos últimos meses, tempo em que foi constante o não pagamento dos salários atrasados na data prometida. Gato escaldado...
O pessimismo dos jornalistas da casa se justifica: os salários têm sido pagos com atraso há pelo menos seis meses, desde agosto de 2006. Além disso, ocorrem outras irregularidades, como a fraude no contrato de trabalho (jornalistas que tiveram que abrir empresa para prestar serviço à editora, os "PJs") ou a utilização da mais genuína informalidade: os "frilas fixos", que nem empresa têm. Eles utilizam notas compradas ou simplesmente recebem seus vencimentos das formas mais "criativas possíveis". Um dos porquês da informalidade é a facilidade da demissão sem o pagamento de direitos, o que se tornou uma ameaça constante.
Mas se os atrasos no pagamento dos salários é um fenômeno que se tornou rotineiro (o que não o torna menos doloroso), a informalidade já é uma velha conhecida dos procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT) e dos fiscais das Delegacias Regionais do Trabalho. Uma fiscalização da DRT-SP realizada em novembro de 2005 encontrou 33 "colaboradores" sem contrato de trabalho na Editora Três. A empresa assinou a autuação e prometeu - mas não cumpriu - contratar os que estavam irregulares.
Em 15 de dezembro do mesmo ano, foi a vez dos representantes da empresa levarem "sua versão dos fatos" para um palanque mais elevado, ao Ministério Público do Trabalho. A procuradora Andréa Tertuliano de Oliveira convocou representantes do grupo Três para explicarem a situação e comprovarem a existência de vínculos trabalhistas entre os trabalhadores e a Três. Os documentos não chegaram e a procuradora deu mais 5 dias para sua entrega. A partir daí, depois de comprovada a fraude nos contratos de trabalho, a editora teria mais 180 dias para regularizar a situação. O que aconteceu no final dos seis meses? Nada. Após o prazo concedido pelo MPT, o Sindicato dos Jornalistas mandou uma carta à procuradora afirmando que a Três descumpriu sua determinação. A questão foi encaminhada novamente à DRT, pela própria procuradora para uma nova fiscalização, que ainda não foi realizada.
Outro fantasma que ronda a Editora Três e assusta os jornalistas é uma possível negociação com o "tubarão da mídia" Nelson Tanure. Com um filete de sangue da Três na água, Tanure teria tentando comprar a editora, o que foi veementemente negado pela direção da Três.
Os jornalistas estão em estado de greve desde o ano passado. O elástico ainda não estourou, mas com atrasos freqüentes nos salários, Domingo Alzugaray, o poderoso chefão da Editora Três, testa o limite da paciência dos jornalistas e dos trabalhadores administrativos da empresa. 





