Polêmica: Cobertura de seqüestro em Porto Alegre é criticada por Sindicato dos Bancários 

Polêmica: Cobertura de seqüestro em Porto Alegre é criticada por Sindicato dos Bancários

Atualizado em 01/02/2007 às 18:02, por Redação Portal IMPRENSA.

Polêmica: Cobertura de seqüestro em Porto Alegre é criticada por Sindicato dos Bancários

O Sindicato dos Bancários de Porto Alegre (RS), emitiu uma nota hoje (01/02), repudiando a exposição da imagem da gerente do Banco do Brasil, Iva Maria Simeão, na capa do jornal Zero Hora, da última terça-feira (30/01). Segundo a entidade, a imprensa não deveria ter exposto a foto da gerente - recém recapturada de um seqüestro - porque isso afetaria a "segurança pessoal da vítima".

A gerente de contas do Banco do Brasil, após ter suas filhas seqüestradas, foi obrigada a assaltar a própria agência em que trabalhava presa a dinamites falsas. O fato comoveu a capital gaúcha, principalmente após a exposição das fotos na capa da Zero Hora , principal jornal da região Sul do país. Nelas, Iva Maria Simeão aparece entrando no carro da polícia, visivelmente abalada.

O Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul respondeu à nota do Sindicato dos Bancários, alegando que "o fato é jornalístico e o trabalho fotográfico deve ser feito", mas que o jornal teria se equivocado, pois poderia evitar as informações sobre a vida pessoal da gerente do BB.

Confira, na íntegra, as notas das entidades:

Nota do Sindicato dos Bancários
Quinta, 01 de fevereiro - 16:41:51

Sindicato condena exposição da imagem da gerente seqüestrada do BB.

O Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região - SindBancários - condena a publicação de reportagens na Imprensa com a fotografia e o nome da gerente seqüestrada, durante a extorsão e a tentativa de assalto à agência Moinhos de Vento do Banco do Brasil. Como se não bastasse a violência brutal de que foi vítima, a exposição da sua identidade e imagem compromete a sua integridade física e emocional, bem como a sua segurança pessoal, além de dificultar a superação dos traumas decorrentes da ação criminosa.

Na defesa dos direitos dos bancários e da liberdade de Imprensa, a entidade defende a continuidade da veiculação de notícias abordando os problemas de insegurança, mas apela para que seja evitada a exposição da identidade e da imagem de todas as vítimas da criminalidade na mídia, preservando, assim, a intimidade de cada cidadão e a segurança das pessoas.
* Fábio Soares Alves, presidente em exercício

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Nota do Sindicato dos Jornalistas do RS

Sindicato recomenda cuidados na publicação em momentos como esse.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul entende que o material - foto - publicado na capa do jornal Zero Hora de 30 de janeiro não demonstra nenhum constrangimento para a vítima, e sim retrata o dia-a-dia de violência a qual todos os cidadãos gaúchos e brasileiros estão expostos. É claro que o profissional, tanto da fotografia como da reportagem, deve evitar a exposição desnecessária de pessoas e seus familiares.

Nesse sentido, entende a entidade que a reportagem cometeu um equívoco. No afã de informar da melhor maneira possível ao leitor, acabou dando detalhes sobre a vida pessoal da vítima envolvida, no caso a bancária e seu esposo. Se os veículos impressos, por determinação de manuais de redação, não expõem foto ou nome de criminosos em função do não-indiciamento ou da comprovação dos crimes que cometeram, poderiam fazer o mesmo com o cidadão de bem. Dentro desse contexto, devem também preservar nomes e fotos de pessoas que sofrem com a violência, como a ocorrida com a bancária, que viveu um momento de extrema vulnerabilidade psicológica e emocional.

Neste caso da bancária, a polícia também cometeu um equívoco ao não cobrir a cabeça da vítima com um capuz - como freqüentemente faz, para evitar sua exposição, uma vez que o fato é jornalístico e o trabalho fotográfico deve ser feito.
* José Nunes, vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul