Pensata: Sobre extremismos retóricos, por Reinaldo Azevedo*
Pensata: Sobre extremismos retóricos, por Reinaldo Azevedo*
Pensata: Sobre extremismos retóricos, por Reinaldo Azevedo* Fernando de Barros e Silva, editor de Brasil da Folha , escreve às segundas na página A-2 do jornal. No texto de hoje, intitulado “Apatia e miséria eleitoral”, sugere que o brasileiro não está lá muito preocupado com as eleições. E diz que essa “aparente apatia democrática só acentua o despropósito de alguns extremismos retóricos”. Num extremo, estariam os petistas, que apontam tentações golpistas; no outro, “certo colunismo "made in Miami", que chega ao ridículo atroz de invocar as Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt, para alertar contra o ‘risco PT’”.
É claro que não concordo com a tese de Silva. Os meus leitores sabem disso; os dele sabem disso; sabe mais ainda quem lê os dois. Não vou tratar disso neste post porque, em verdade, aí esta o centro da minha divergência com boa parte do jornalismo que se dedica à política e, é certo, com a leitura da Folha de S. Paulo . O blog, no seu conjunto, e os textos que tenho escrito dizem por que acho que as coisas não são assim.
No meu artigo na Veja desta semana, escrevo: “A vacina contra o autoritarismo virótico de quem pretende cair nos braços do povo para ser absolvido de seus crimes está em As Origens do Totalitarismo, da pensadora judia-alemã Hannah Arendt. Aprende-se ali, com clareza insofismável, que não devemos permitir que os inimigos da democracia cheguem ao poder, negando-nos, uma vez lá, em nome dos seus princípios, as liberdades que lhes facultamos em nome dos nossos”.
Leitores me perguntam se o jornalista da Folha está, então, se referindo a mim. Não sei. Acho que citaria meu nome se estivesse. Por que não? Por que eu representaria o colunismo “made in Miami”? Não sei o que isso quer dizer. Também não entendo por que a evocação do livro de Hannah Arendt constituiria um “ridículo atroz”. Quando e se ele se referir a mim explicitamente, como costumo fazer quando discordo de alguém, então responderei, não tenham a menor dúvida. Como não sou o único no país a evocar Arendt, não posso me sentir citado. Vamos aguardar
*Reinaldo Azevedo é jornalista e articulista da revista Veja. O artigo acima foi publicado originalmente em seu blog www.reinaldoazevedo.com.br 





