Na justiça: Ex-PM que assassinou estudante de jornalismo será julgado nesta quarta-feira

Na justiça: Ex-PM que assassinou estudante de jornalismo será julgado nesta quarta-feira

Atualizado em 06/02/2007 às 17:02, por Redação Portal IMPRENSA.

Na justiça: Ex-PM que assassinou estudante de jornalismo será julgado nesta quarta-feira Foto: Estudantes do Mackenzie durante manifestação (Fábio Portugal).


Nesta quarta-feira (07/02), acontecerá o julgamento do assassino do estudante de jornalismo da Universidade Mackenzie, Thomas Schwarzenberg Vicente. O crime ocorreu no dia 29 de agosto de 2004, quando o estudante voltava de um fim de semana na cidade do Guarujá, litoral de São Paulo, no km 51 da Rodovia dos Imigrantes.

O julgamento será realizado no Fórum do município de Cubatão, às 9 horas. O assassino é Clécio Barbosa Aires, ex-policial militar preso em flagrante, que foi expulso da corporação ainda em 2004, mas permanece retido no Presídio Militar Romão Gomes.

Dois dias após o assassinato, foi realizada uma passeata dos estudantes do Mackenzie - reunindo aproximadamente 1000 pessoas - que foram até a Secretaria da Segurança Pública exigir a expulsão do policial militar da corporação. Outro pedido dos estudantes era para que o mesmo pudesse responder pelo crime como civil, já que quando cometeu o assassinato, Clécio não estava a serviço da Polícia Militar.

O também estudante de jornalismo, Fábio Portugal, estava em um carro que vinha logo atrás do conduzido pelo estudante assassinado e conta ao Portal IMPRENSA como tudo aconteceu.

IMPRENSA - Onde você estava no momento? Como tudo aconteceu?

Fábio Portugal - Eu estava aproximadamente um minuto do carro dirigido pelo Thomas. Estávamos voltando de Guarujá, num domingo. Tínhamos passado o final de semana lá. Na volta, pela rodovia Imigrantes, o carro dele colidiu com o do ex-PM. Na verdade, apenas encostou. O Thomas continuou dirigindo e o PM veio atrás e deu dois tiros para o alto. Foi então que ele acelerou e fechou o carro do Thomas, que parou o carro e pediu paciência ao PM, que já desceu do carro ameaçando.

IMPRENSA - Ele estava fardado?

Fábio - Não. Vestia um shorts de jogar futebol, camiseta e chinelo. E estava em um carro de civil. Ele não estava em serviço e nunca chegou a se identificar como policial.

IMPRENSA - E depois, o que aconteceu?

Fábio - O Thomas, com medo, pediu calma e saiu com o carro, foi quando o PM atirou. O tiro, se não me engano, pegou na nuca dele. Eu estava logo atrás e chegamos um pouco depois do ocorrido. O PM ordenou que ficássemos todos no carro. O carro dele ficou preso entre a mureta de proteção e o carro do Thomas, por isso ele não pode fugir. Depois chegaram viaturas da Policía Rodoviária e ele foi preso em flagrante. Após levarem o Thomas para o hospital de Cubatão, ele ainda resistiu por algumas horas.

IMPRENSA - Então é líquido e certo que ele será preso?

Fábio - Esperamos a pena máxima para um crime hediondo como esse, e que se faça justiça.

IMPRENSA - Como foi a cobertura da imprensa à época?

Fábio - Diversos veículos de comunicação - entre rádios, televisões, sites, revistas e jornais - acompanharam o caso, desde o acontecimento, reconstituições e depoimentos, e vêm mantendo viva a memória do Thomas. É preciso ficar sempre em cima e pedir o apoio da imprensa, que é fundamental, para que um autor de crime hediondo não possa receber privilégios por ser "bem comportado" na cadeia.

O julgamento terá início às 9:00 hs, no Fórum de Cubatão, localizado à Avenida Joaquim Miguel Couto, nº 320 - Cubatão - SP.