Irrigação em Goiás, por Patrícia Santana, estudante de jornalismo da Universidade ALFA (Goiânia/GO)
Irrigação em Goiás, por Patrícia Santana, estudante de jornalismo da Universidade ALFA (Goiânia/GO)
Irrigação em Goiás, por Patrícia Santana, estudante de jornalismo da Universidade ALFA (Goiânia/GO) O Estado de Goiás produz mais de 11 mil toneladas de grãos por ano, o que o torna o quarto produtor nacional e corresponde a 9,14% da produção brasileira, ocupando a quinta colocação no ranking nacional de área irrigada. Cerca de 200 mil hectares de área irrigada contribuem com 10% da produção estadual. Existem hoje, em média, sete mil unidades irrigadas no Estado, destacando a utilização de pivôs centrais cobrindo cerca de 200 mil hectares de área irrigada.
A Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento (SEPLAN) quer viabilizar 10 programas no sentido de direcionar a agricultura irrigada em Goiás, buscando sustentabilidade do setor por meio da racionalização do uso da água e do solo, garantindo eficiência e sustentabilidade dos projetos públicos em assentamentos, possibilitando sustentabilidade econômica, social e ambiental.
Estimular o produtor rural para o uso da irrigação é o primeiro passo para diversificar e ampliar exportações. Transferência de tecnologia e capacitação são peças fundamentais no desenvolvimento da agricultura irrigada no estado.
Segundo levantamentos de solo e água realizados pela SEPLAN, Goiás tem potencial de irrigação de 1,2 milhão de hectares, podendo crescer significativamente com estudos de viabilidade de maior precisão e detalhamento e com o uso racional dos recursos. Esse crescimento tem acontecido de forma desordenada, insustentável e sem direcionamento; um exemplo são os constantes conflitos de interesses ao aproveitamento hídrico sem planejamento.
Em Goiás, como em todo o Brasil, o desenvolvimento da agricultura de forma moderna e dinâmica, com possibilidades de interação com a produção industrial, passa por uma consistente e coerente política estadual de irrigação.
Regiões
Banhada pelas bacias dos rios São Marcos e Veríssimo, afluentes do Rio Paranaíba e uma pequena bacia do rio São Francisco, a região sudeste é pólo de desenvolvimento da agricultura irrigada e contribui para geração de emprego e renda.
Com boa infra-estrutura de transporte, energia, armazenagem, produção e comercialização, além de localização estratégica entre os principais centros consumidores do País, o município de Cristalina se destaca pela quantidade de área irrigada, que gira em torno de 45 mil hectares.
Formada pelas bacias hidrográficas dos rios dos Bois, Meia Ponte e Corumbá, a região Centro-Sul possui solo de boa qualidade sem muitas restrições para uso, produção e expansão da agricultura irrigada.
A região Centro-Sul concentra os principais municípios do Estado de Goiás, e o uso intensivo dos recursos hídricos próximos aos grandes centros urbanos tem causado poluição de mananciais e do meio ambiente.
As bacias dos rios Claro, Verde, Corrente e Aporé são os grandes tesouros da região Sudoeste, que além da presença do aqüífero subterrâneo Guarani, conta com um período chuvoso mais longo que no restante do Estado, o que contribui para cultivares em período de safrinha. Com solo de boa qualidade, a região sudoeste é a região que menos necessita de irrigação.
A expansão político-econômica se destaca no município de Chapadão do Céu, que com apenas 10 anos de emancipação tem como principal atividade econômica a agricultura e é o município que oferece maior qualidade de vida em todo o Estado de Goiás.
Naturalmente favorável à implantação de projetos como a baixa exploração hídrica, excelentes solos, cultura, estrutura social e produção, a região indica grande potencial de desenvolvimento da agricultura convencional e/ou agricultura irrigada por dois fatores: a abundância dos recursos (água e solo) e poucas restrições ambientais, afirmam especialistas da área.
Banhada pela bacia do rio Araguaia, a região noroeste é valorizada e reconhecida nacionalmente pela exuberância natural e temperatura elevada. Os municípios mais expressivos são, sem dúvida, Goiás e São Miguel do Araguaia. A economia é baseada na pecuária semi-extensiva, com pouca tecnologia agrícola e suporte estrutural.
A bacia do Araguaia dispõe de uma situação social nada favorável para a agricultura, pela baixa exploração hídrica ocasionada por exigências de preservação ambiental.
A falta de experiência empresarial agrícola não favorece a implantação de projetos de irrigação, pela dificuldade de licenciamento ambiental para prática da agricultura irrigada.
A bacia hidrográfica do Rio Tocantins e sub-bacias dos rios das Almas, Maranhão, Tocantinzinho e Barragem banham a região Nordeste e alimentam o reservatório de Serra da Mesa. É a região que apresenta maior diferenciação do solo em relação às outras regiões, com solos de cerrado com baixo teor de fósforo e elevada acidez, embora existam isoladamente áreas com solos de boa qualidade e características favoráveis à produção e expansão agrícola.
O acelerado processo de ocupação do cerrado com intenso desmatamento tem gerado grandes problemas no que concerne à perda de solo por erosão e perda de espécies animais e vegetais, diminuindo consideravelmente a diversidade e quantidade em seu banco genético. Através do fortalecimento da agricultura familiar, é possível acelerar o processo de viabilização da agricultura irrigada na região.
Congresso
O Governo Estadual, através da Secretaria de Agricultura Pecuária e Abastecimento (SEAGRO) em parceria com a Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID), realizará em Goiânia entre os dias 25 e 30 de junho, no Centro de Cultura e Convenções de Goiânia, o XVI Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem - CONIRD. O congresso terá como tema principal a "Agricultura Irrigada no Cerrado".
O congresso aplicará aos congressistas conferências, seminários, painéis, cursos temáticos, apresentação de projetos e visitas em áreas irrigadas, disponibilizando tecnologia, informações e técnicas de manejo na busca por um mercado competitivo e permanente.
O objetivo do congresso é promover e fortalecer o agronegócio da agricultura irrigada para gerar mais renda no campo, com ênfase nas regiões dos Cerrados. 





