IMPRENSA NA TV: Roberto Romano critica Record
IMPRENSA NA TV: Roberto Romano critica Record
IMPRENSA NA TV: Roberto Romano critica Record
Por Roberto Romano, professor de Filosofia e Ética da UNICAMP, criticou duramente a postura da Rede Record sobre a demissão do jornalista Boris Casoy, em entrevista ao programa "IMPRENSA na TV" - transmitido todas às terças-feiras, a partir das 15h, pela AllTV (www.alltv.com.br). "Escandaloso e indecente, foi a demissão do Boris para agradar o governo", afirmou. Quando questionado se existe um desvio ético por parte da emissora, Romano disparou: "O equivoco ético é notável e vocês conhecem. O envolvimento da igreja, sem dúvidas, é o problema".
Romano é um dos nomes mais consultados quando a decisão humana gera alguma divergência. Envolvido com a luta armada na época da ditadura, estudou Filosofia e Teologia, fez doutorado em Paris e terminou a Livre Docência da UNICAMP em 1979.
Em um segundo momento da entrevista, Romano discutiu a polêmica das charges religiosas publicadas em veículos internacionais. Segundo o professor, o problema implica análises sobre liberdade de expressão e respeito à religiosidade. "Não se trata de um choque de cultura, mas uma questão de prudência política. O pensamento e o espaço são criações infinitas de Deus. Tudo é permitido, mas nem tudo é prudente", explicou.
Política nacional
De acordo com o filósofo, pequenos partidos como o PSOL são vitais no processo democrático, mas precisam estabilizar-se financeiramente. "O plano econômico do presidente Lula, porta-voz da esquerda, é de direita. Já o defendido por José Serra (PSDB) é de centro-direita. A outra direita existente no país é fisiológica, perdeu seu caminho na busca pelo poder", ressaltou.
Sobre a polêmica relação de Lula com a imprensa, Roberto Romano considera a falta de entrevistas do presidente um erro de comunicação democrática do governo. "No lugar de falar com a imprensa, o governo faz uso da propaganda, que nada mais é que um recurso retórico com doses de autoritarismo. Os assessores do presidente deveriam tirar o excesso de propagandismo do Lula", afirmou.
Para balancear o desabafo, o entrevistado cobrou prudência da mídia: "Os jornalistas devem entender que não são donos da verdade e deixar de agredir ao invés de perguntar".
Eleições
O filósofo vê com bons olhos, ainda, a possível candidatura de José Serra à presidência: "Eu gosto sempre do contraditório. Prefiro que haja alternância de idéias no poder, isso é muito saudável."
Questionado pelos internautas, Roberto Romano não titubeou e teceu vastos elogios ao prefeito de São Paulo. "Ele tem uma nova proposta desenvolvimentista, e isso me agrada", opinou. Sobre o documento que Serra assinara garantindo que cumpriria o mandato na prefeitura até o seu final, Romano foi direto: "Isso foi um truque sujo. O querido José Serra caiu em uma armadilha". O professor de ética não vê problemas na candidatura do prefeito, já que considera a presidência da República como um bem maior para o país. Mas, analisando a possibilidade da reeleição petista, Romano opinou: "Lula é o mestre na arte da sobrevivência. Por isso, acredito na sua reeleição".
O programa IMPRENSA na TV volta ao ar em duas semanas, no dia 7 de março, às 15:00h, com apresentação de Pedro Venceslau e Mayela Itié.
Gabriel Mitani* é estagiário da Revista IMPRENSA






