Deus, perdoe por ser brasileiro, por Bruno Lara Manso

Deus, perdoe por ser brasileiro, por Bruno Lara Manso

Atualizado em 01/09/2006 às 14:09, por Bruno é estudante de jornalismo da Universidade Estácio de Sá e  de Petrópolis- RJ.

Deus, perdoe por ser brasileiro, por Bruno Lara Manso Às vezes, dá orgulho de ser brasileiro! Só às vezes, porque na maior parte do tempo, prevalece o sentimento de vergonha, inibição, revolta e descaso. Não me refiro ao povo, que se acostumou à apatia e à vida humilhante (parece clichê, mas nunca é demais ressaltar tais condições). Acuso à medíocre elite, que ainda comanda essa terra de índios.

Mas, terá solução? Alguma alma iluminada conseguirá extrair essa gente podre do poder? (atribuo a palavra "poder" não apenas a essa *#*# de governo.) Meus pais cresceram com a promessa de que a minha geração desfrutaria os louros do "país do futuro", mas ainda amargamos "os morenos" do passado.

Acontece que tudo anda a mesma coisa. Entra Collor, sai Collor. Entra FHC, sai FHC. Entra Lulla e, ao que tudo indica, continua Lulla. Nada contra essas excelências, ou as respectivas instituições "incorruptas", mas ao modelo de política praticada, incapaz de promover as tão sonhadas mudanças estruturais, que desde pequeno ouço falar na TV.

Pensando bem, mudar para que, se estão ganhando? Não há motivos para alterar as regras do jogo. Já começo a pensar que parvo sou eu, que critico e fico indignado com a política. Escrever artigos não adianta. Suar o dedo, muitos já fizeram durante a história. A solução é suar a camisa. Mas dá muito trabalho, é cansativo. Isso pode durar uma vida inteira e, além do mais, pode não dar certo. Portanto, porque não acreditar na ordem imposta? Porque se preocupar com o Congresso, com os Sanguessugas, se a Novela das Oito é mais interessante?

A que ponto chagamos! Ou melhor, a que ponto não chegamos! Pois parece que não saímos do lugar, permanecemos na mesma há 506 anos. Dizem por aí que o voto é uma arma, uma defesa do povo. Contudo, o atirador mal sabe segurar nessa arma... Mal sabe atirar! Quando o faz, aponta para si mesmo. O povo é suicida. Mantém os mesmos lá em cima.

É verdade que exagero um pouco. Nas últimas eleições presidenciais, optamos pela transformação. Desempregamos o sociólogo (que de sociólogo só tem o diploma) e promovemos o operário. Saldo: Seis por meia dúzia. A mesma coisa que o Dunga substituir Ronaldo (fenômeno) por Jô Soares.

Bem, assim o brasileiro vai levando a vida: triste pelo baixo salário, pelo desprezo, mas alegre quando consegue um banco vazio no ônibus, ao voltar para casa, depois de um exaustivo dia de trabalho. Fomos domesticados. Nos acostumamos à submissão. Na prática, essa estória de que todos somos iguais, é nula. Sempre foi.