Comportamento: Ídolos, para onde foram?, por Bruno Lara de Castro Manso
Comportamento: Ídolos, para onde foram?, por Bruno Lara de Castro Manso
Comportamento: Ídolos, para onde foram?, por Bruno Lara de Castro Manso
O rótulo de "moralista" não seria muito bem recebido por mim, até porque não sou. Contudo, creio que após a publicação de tal artigo, não poderei fugir à condenação. Mesmo assim, não temo tal julgamento, pois é preciso ser intrépido para assumir nossos ideais, mesmo que desagrade um, uns ou muitos.
O tema do qual trato hoje é o comportamento dos jovens. Percebo que nós, em muitos momentos, nos desviamos de compromissos relevantes, virtuosos, para entregarmo-nos à frivolidade. Tomemos como exemplo o próprio cenário associado à juventude: bebida, carro, som alto, festa, mulheres e homens padronizados. O nível do diálogo não é muito superior.
Aqueles ideais de libertação, revolução cultural dos anos 60/70 já foram vendidos ao sistema de consumo. Muitos daqueles ídolos (principalmente vocalistas de grandes bandas) hoje fazem o jogo da industria capitalista, que não visa o engrandecimento através da cultura, mas ao consumo desenfreado. Não, o rock'n roll não é mais uma contra-cultura, mas parte da cultura exploradora.
Quais são nossos ídolos hoje em dia? Quando me faço tal pergunta, o nome MC Sapão logo ascende na mente. Por que? Convido o leitor a freqüentar uma casa noturna no próximo fim de semana, mas sem tomar nenhuma gota de álcool. Convido-o a prestigiar o evento "de fora". Seja um "estrangeiro". O ápice da festa será quando o dj tocar funk. A partir daí, qualquer menina, seja ela filha de família tradicional ou não, assume um personagem extremamente vulgar (assim me refiro, para não ser grosseiro). Porém, o momento maior de exaltação será regido pela seguinte letra: que batida é essa que na balada é sensação? É claro que é o funk, meu irmão. Várias mulheres lindas rebolando até o chão. Isso é que é pura sedução...
Em outras épocas, as figuras que despertavam admiração nos jovens eram Elis Regina, Raul Seixas, Chico Buarque, entre outros. Mais recentemente, houveram personagens como os poetas Renato Russo e Cazuza. Figuras que indubitavelmente deixarão uma herança riquíssima sobre ideologia. As letras deles proporcionam uma reflexão de alto valor, mesmo que algumas pessoas não simpatizem com elas.
Em contrapartida, ou está se tornando raridade o nascimento de pessoas tão nobres, ou a grande mídia prefere impedir o aparecimento delas. Espero que a segunda opção seja a correta, pois assim tenho a garantia de que o problema é a falta de publicidade, e não a escassez dos ídolos. Torço para que cantores como o Latino não sejam consagrados como símbolo de uma geração. Seria melancólico e vergonhoso, mas a possibilidade não pode ser descartada. 





