Outro enquadramento
Outro enquadramento
O título da matéria " " publicada na edição especial de aniversário da revista IMPRENSA de setembro (nº 260, pág. 92), ilustra bem a essência do projeto TV Cela, criado na cidade paulista de Votorantim e que permite às reeducandas da Cadeia Feminina do município mostrarem que estereótipos podem ser desfeitos. A reinserção social de ex-detentos, ainda é um grande problema no Brasil. Fora do discurso, o preconceito impera, oferecer empregos e oportunidades chega a ser uma possibilidade remota. Observando tal situação e verificando a precariedade do presídio que ultrapassa seu limite, os jornalistas Wemerson Kermes e Luciana Oliveira criaram o projeto com o objetivo de dar voz às detentas e permitir que elas se expressem, se informem, e tenham contato com uma nova realidade por meio da gravação de um programa de TV.
Para realizar esta reportagem a única forma de comunicação com as detentas foi via carta. Abaixo você acompanha a integra das cartas enviadas por elas por meio da jornalista Luciana Oliveira e que expressa de outro ponto de vista a percepção de quem vive um " ".
Alessandra de Souza Gabriel, 37 anos. Condenada a 4 anos e 10 meses por tráfico de drogas. Casada há 23 anos. Mãe de 4 filhos. Atual produtora do TV Cela
"Estou presa faz oito meses, e sempre fui uma pessoa muito comunicativa. Quando cheguei ao presídio me senti muito mal, pois sempre gostei muito de ver jornal e sou apaixonada por TV, mas nunca imaginei que seria num lugar desses que encontraria um programa de televisão. E achei muito interessante o TV Cela. Eu mesma comecei observar e aos poucos fui chegando, até que um dia uma das produtoras por ver meu interesse e vontade em participar me convidou e os organizadores do me aceitaram, aqui estou a mais ou menos 4 meses. Ajudo e participo de um projeto que para nós é muito importante, e acredito que hoje através deste programa de televisão as pessoas nos vejam com outros olhos. Sem contar que o TV Cela nos ajuda a aumentar a auto-estima e que apesar de termos cometidos alguns erros o programa nos dá a oportunidade de mostrar que estamos prontas para voltar a sociedade. E mais, quem não gosta de televisão? Pois televisão é cultura. Aproveito para agradecer o carinho que os coordenadores do programa Werinton e Luciana nos tem dado. Sem falar no respeito que eles conseguiram conquistar entre nós reeducandas. Nosso muito obrigado, pois foi graças ao TV Cela que hoje a nossa auto-estima se elevou. Que outras emissoras possam se interessar e nos dar a oportunidade de mostrar que somos capazes".
Renata Arias, 20 anos. Condenada por tráfico de drogas. Atual apresentadora do TV Cela
"Era produtora e agora serei apresentadora do TV Cela. Estudei um ano de psicologia. Participo do TV Cela há aproximadamente seis meses, antes disso eu apenas admirava e conversava com as participantes e os organizadores, mostrando interesse e participação ajudando as meninas. Com a liberdade de duas produtoras tive a oportunidade de entrar na produção do programa, foram mais ou menos 13 entrevistados entre eles, médicos, advogados, promotores e artistas. Eles além de trazerem informações e ajuda. Isso mostra o quanto somos importante mesmo presas e tenho certeza que mudaram a visão de muitas pessoas que assistiram ao programa tendo mais carinho e respeito a nós.Sou uma pessoa que não penso em nada mais que venha me trazer aqui de novo, mudei muito, meus conceitos e valores e o TV Cela me ajudou a ter um outro ponto de vista não só na teoria como na prática, ocupou meu tempo vago para coisas produtivas, fez eu pensar e ter retorno das minhas dúvidas. Fora o apoio que temos dos organizadores que nos tratam com um carinho muito especial que particularmente faz minha auto-estima crescer e mostrou nossa capacidade que muitas como eu acharão que não tinham com o programa aprendi que nossa capacidade está no tamanho da nossa vontade, temos que lutar e ir atrás de nossa felicidade".
Suzana Maria Ramos, 26 anos. Atual produtora do TV Cela
" Eu sou a Suzana Maria Moragua Ramos, tenho 26 anos cheguei ao presídio grávida e hoje me arrependo de tudo o que fiz para estar aqui. Comecei a participar do TV Cela para ter a oportunidade na vida de ser uma cidadã, pois eu sempre tive um sonho, meu sonho era trabalhar com filmagem de clipes, rodeios, e com produções de imagens. Hoje sou reeducanda de Votorantim, e o TV Cela me deu uma oportunidade para mostrar o Brasil que nos queremos mudar e um sonho a realizar, ser um cidadão andar de cabeça erguida, sem ser parada pela policia. Sou mãe tenho 3 filhos e agora queria mais uma chance de poder ser feliz com meus filhos. Tenho uma mãe que está batalhando lá fora para mantê-los. Agora eu tenho essa chance de mostrar pra vocês de fora que eu sou Suzana e quero mudar de vida e ficar ao lado de minha família trabalhando. Eu agradeço o projeto por tudo, por não nos abandonar, queremos mais uma chance na vida. Para nós que somos brasileiros, queremos sim mudar de vida e ser feliz igual a vocês, o TV Cela veio ate nós reeducandas para mostrar pra vocês, ai de fora, que não é nada disso que pensam de nós. Mas queremos sim uma chance de sermos felizes, com a nossa família, queremos mudar, é difícil sou a primeira e eu vejo o sofrimento de muitas mães e pessoas querendo estudar, trabalhar e ser um cidadão".
Acompanhe aqui alguns trechos de programas e matérias realizadas por outros veículos de comunicação:
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