Outdoor que critica política de segurança no Rio de Janeiro é "apagado"
Outdoor que critica política de segurança no Rio de Janeiro é "apagado"
Foi "apagado", entre a noite da última segunda-feira (4) e a manhã da terça-feira (5), um outdoor que criticava a política de segurança do Rio de Janeiro através de uma charge do artista Carlos Latuff, que mostrava a imagem de um policial sorrindo, enquanto uma mãe chorava a morte do filho baleado. A peça, instalada próxima à Secretaria de Estado da Segurança, foi pintada de branco.
O outdoor é baseado nos cartazes exibidos a mando do Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedca), mas que foram retirados das ruas pela própria entidade. O desembargador Siro Darlan, presidente do Cedca, disse que a intenção era convocar a população para a passeata comemorativa dos 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente, que coincidiu com os 15 anos da Chacina da Candelária. Ele afirmou que os painéis foram recolhidos depois de manifestação, e não por pressão do governo.
"Havia crítica ao Estado, e não ao governo. Expliquei ao secretário (Fichtner) que o objetivo não era atingir ninguém", disse Darlan.
O magistrado informou que o Cedca não é "co-responsável" pelo novo cartaz, mas lembrou que "o número de crianças e adolescentes assassinados nessa guerra incessante preocupa a todos".
Na época da polêmica em relação à primeira peça, o secretário da Casa Civil, Regis Fichtner, afirmou que o painel "continha mensagem grave e equivocada sobre a PM". A assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança informou que nada tem a ver com a pintura do novo outdoor.
Agora o desenho aparece sob a tarja vermelha "censurado" e ao lado traz a frase "Candelária, Vigário Geral, Baixada, Alemão, Acari, Providência... estamos mais seguros? Infeliz é a sociedade que assiste passivamente sua juventude ser exterminada", fazendo referência às grandes chacinas que marcaram o Rio, numa crítica à política de segurança.
O novo outdoor, que também foi instalado em Botafogo e no Maracanã, é patrocinado por seis entidades: Grupo Tortura Nunca Mais, Justiça Global, DDH, Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, Instituto Carioca de Criminologia e Projeto Legal.
Com informações da Agência Estado
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