"Oswald de Andrade foi um homem que soube usar a arma do riso", diz Antonio Candido na Flip
Teve inicio nesta quarta-feira (06) a 9ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). O homenageado deste ano é o polemico escritor Oswald de Andrade, um dos principais precursores do Modernismo brasileiro.
O critico literário e amigo de Oswald, Antonio Candido, iniciou a conferencia aplaudido de pé pelos presentes na Tenda dos Autores e prestou uma homenagem ao amigo escritor. "O que vou fazer não chega nem a ser uma palestra, é mais um depoimento. Não pretendo falar sobre a obra nem sua biografia. Vou falar sobre quem foi Oswald de Andrade", disse.
Candido destacou alguns dos motivos que fizeram com que a obra de Oswald não fosse amplamente conhecida no Brasil. "A personalidade dele concentrou mais atenção do que a obra. A mitologia que se formou em volta dele atrapalhou o conhecimento da obra", explicou. Outro fator que influenciou nisso é que, à época, os livros não chegavam às pessoas com facilidade e, por fim, Oswald era muito suscetível à critica. "Mexeu com Oswald de Andrade, vinha patada. Então muita gente não escrevia porque o sarcasmo dele esmagava a pessoa", definiu.
A atuação jornalística do escritor também foi destacada pelo amigo. Atividade exercida por Oswald durante toda sua vida, o escritor criou publicações como as revistas Antropofagia e Pirralho. "A percepção da realidade e a presença de espírito faziam com que a produção jornalística dele fosse de alta qualidade. Ele traduzia a realidade de forma brilhante", explicou.
Permeando seu depoimento com relatos e exemplos pessoais vividos com Oswald - a quem Candido chama de "Oswaldo" - a personalidade e as particularidade do autor ganharam formas. "Inconformado, ele foi um grande ativista cultural, um grande agitador de ideias. Sem ele e sem Mário de Andrade o modernismo não teria sido o que foi".
Além disso, Candido desconstrói um dos mitos que envolvem o amigo. "Oswald de Andrade, na lenda, tinha fama de bicho de papão. Ele era extremamente educado, atencioso aos seus amigos. Não tinha nada de bicho papão. Era só não brigar com ele [risos]. Ele foi um homem que soube usar a arma do riso, uma das grades armas do modernismo", finalizou.






