Os conflitos ideológicos continuam os mesmos, por Luiz Gustavo Pacete de Lima*

Os conflitos ideológicos continuam os mesmos, por Luiz Gustavo Pacete de Lima*

Atualizado em 11/09/2007 às 18:09, por Luiz Gustavo Pacete de Lima* e  estudante da Fiam Faam.

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Charles Robert Darwin, o nome e a teoria desse inglês revolucionaram a ciência e polemizaram muitas áreas da sociedade, na Inglaterra e em grande parte da Europa. Nascido em Shrewsbury (capital do condado de Shropshire, Inglaterra), estudou medicina na universidade de Edimburgo (Escócia), e passou a ter contato com obras de evolucionistas como Jean Baptiste Lamarck e Geoffrey St. H Lare. Darwin foi um grande admirador do naturalista alemão Alexander Von Humboldt, autor do "Relato de uma viagem para a América do Sul e Espanha". Continuou seus estudos na área de geologia e posteriormente teve a oportunidade de viajar rumo á América do Sul a bordo do navio Beagle comandado pelo capitão Robert Fitzroy. Essa viagem foi de extrema importância para que pudesse produzir suas teorias evolucionistas.

Ele representou não somente uma revolução no campo científico, mas suas teses também sofreram influência e influenciaram o campo político. A bordo do navio Beagle, iniciou-se um conflito ideológico entre o jovem e o capitão Fitzroy. Esse capitão pertencia à classe conservadora inglesa e era cristão. Já Darwin era de uma família liberal. Levava consigo uma literatura científica, que lhe seria de muita utilidade. Ele esteve em Salvador e Rio de Janeiro, onde repudiou a escravidão. Passou um longo período na Terra do Fogo e seguiu rumo à costa do Chile. Encontrou inúmeras espécies que confirmavam as hipóteses do geólogo britânico Charles Lyell. Finalizou sua viagem nas Ilhas Galapágos onde coletou diversas amostras de seres vivos.

A partir de seus desentendimentos com Fitzroy, podemos observar a dicotomia existente entre duas posições ideológicas evidentes naquela sociedade. De um lado cristãos conservadores, que defendiam a ideologia bíblica do dilúvio; do outro, os liberais já influenciados por diversos avanços no campo científico.O capitão Fitzroy tentou afastá-lo das idéias que fundamentariam a teoria evolucionista, mas sem sucesso. Em 1859 Darwin lança um resumo de suas idéias no livro A origem das espécies. Na ocasião o livro causou inúmeras polêmicas, não somente na Inglaterra, mas em toda a Europa. Essa literatura tornou-se referência para a Teoria Evolucionista. Suas teses foram criticadas principalmente pela Igreja que se opunha às novas idéias.

Como aconteceu com Darwin, atualmente se observa um grande impasse entre ciência, política e religião. Mesmo tendo a possibilidade de evolução e modernização, a ciência ainda conflita com esses dois setores da sociedade. Um que luta por interesses; outro que preza pelos seus dogmas e ideologias. O aborto, por exemplo, é um caso de impasse sem definições. Através da ciência foi possivel diagnosticar casos - como risco de vida da mãe, anencefalia (má-formação) e estupro. Já as representações eclesiásticas afirmam que esse tema é uma questão de interesse da instituição católica. Existem divergências entre estudiosos e os próprios religiosos que questionam se o aborto é uma questão da igreja ou não.

A pesquisa com células-tronco é um outro tema que tem sido motivo de tensas discussões. Recentemente o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, vetou o investimento revertido a essas pesquisas. A posição de seu governo é contra as pesquisas com células-tronco embrionárias. Isso reinicia o debate. De um lado, estão os que defendem suas possibilidades médicas e, de outro, os que questionam as implicações da possível destruição da vida humana. O espetáculo "After Darwin" em cartaz no Centro Cultural São Paulo, conta a trajetoria desse cientista numa narrativa que aborda além de outros temas a divisão de pensamentos existentes na sociedade e os conflitos com que a ciência se depara. Uma boa oportunidade de conhecer um pouco da vida de Darwin e observar a exemplificação desses debates existentes em nossa sociedade.

*Luiz Gustavo Pacete de Lima é estudante de jornalismo das Faculdades Integradas Alcântara Machado (Fiam Faam)