Orkut, a nova comunidade virtual

Orkut, a nova comunidade virtual

Atualizado em 01/11/2004 às 15:11, por Paulo Henrique Correia,  estudante do 4º ano da Universidade Potiguar e  de Natal/ Rio Grande do Norte.

Em fevereiro de 2004, um funcionário do site Google, chamado Orkut Buyukkokten, criou um sistema revolucionário de conversações e trocas de mensagens virtuais; era o Orkut. Com o nome de seu inventor (que é de origem turca), este site de relacionamentos, se tornou à menina dos olhos de nove entre dez jovens do mundo.

Quando o turco Buyukkokten criou experimentalmente esse projeto, ele não pensava que se tornaria mundialmente conhecido; ele criou apenas para trocar mensagens, telefones e fotos com colegas de trabalho e parentes. Mas com o tempo, o que antes se restringia aos prédios do Google, se tornou uma febre mundial; e que tem no Brasil seu publico mais fiel e ativo. O objetivo do site, que é gratuito, é formar "comunidades" de vários participantes, que debatem, interagem uns com os outros em fóruns, troca de e-mails; estas comunidades são baseadas em temas e pessoas do universo real; de filmes dos anos 40 a política do presidente Lula, tudo vira comunidade. As pessoas que participam e criam estes "feudos" na Internet, são na maioria amigos de escola, faculdade ou tem interesses em comum.

Um exemplo é o canal dedicado ao ídolo reggae, Bob Marley; essa comunidade tem mais de 200 membros cadastrados, e de diferentes partes do globo, de uma senhora do Reino Unido, ao surfista de Natal. 200? Você pode achar pouco, mas a de se considerar que o site Orkut só funciona com convites. Têm acesso às comunidades apenas usuários que são chamados por amigos, através de e-mail; sem isso, o site na abre.

Mas o bacana do sistema, é mesmo a troca de mensagens com velhos amigos, colegas de escola que se reencontram pelos canais que participam; desses primeiros contatos surgem idéias para encontros reais; churrascos e festas são marcados, ou simplesmente uma ligação para uma velha paquera do colégio. Talvez esteja ai a força do Orkut; diferente de chats com pessoas que você não conhece, no orkut a pessoa fala com conhecidos (até por se tratar de um sistema que precisa de fotos, e-mails). A mentira nesse sistema fica meio fácil de ser descoberta; e o legal disso é não mentir, é papear na verdade, discutir assuntos de interesses mútuos com outras pessoas e amigos próximos.


E O BRASIL COM ISSO TUDO?

É notório o gosto do brasileiro com bate papos com amigos e por que não, com desconhecidos; já é característica nossa, ser cordial e expressivo com todo mundo. Então nada mais comum que se tornar líder nas comunidades do Orkut. Os americanos chiaram; dizem que o Brasil esta deturpando a qualidade do sistema, que o usuário brasileiro esta fazendo tudo em português, aniquilando a língua oficial do Orkut, que é o inglês.

Discussões a parte, o Brasil tomou conta mesmo do canal; dados fornecidos pelo próprio Orkut mostram que o usuário tupiniquim já corresponde com 49 % dos cadastrados em comunidades, contra 18 % dos americanos. No total são: 599.343 brasileiros que trocam informações pelo site.

O LADO NEGRO DO ORKUT

Como toda sociedade, o orkut não escapa de ter entre os seus membros, pessoas ligadas a movimentos racistas. A prova de que seguidores de movimentos neonazistas, pedófilos e que destratam nordestinos e homossexuais, esta na infinidade de comunidades (com mais de mil pessoas) que foram criadas recentemente.

Uma dessas aberrações tem o nome White pride shinheads 14, e que tem entre seus idealizadores, um estudante de Juiz de Fora, que prega a seguinte mensagem: "um baita serviço de preto, porque já que eles se propuseram a exterminar uma raça maldita porque não cumpriram o objetivo de forma decente". Explicando o holocausto judeu, e que ainda ficaria faltando o mesmo para com os negros. Isso é de um perigo extremo; um lunático escrever esse tipo de bobagem é normal, mas, mais de mil cadastrados concordando com ele, é um perigo grave.

Como toda ferramenta da Internet, o Orkut tem entre seus usuários, crianças; e mensagens como essa e as que denigrem nordestinos (os paraibas, na visão deles), negros e homossexuais devem ser combatidas por pais atentos.

"O racismo, a pedofilia, o anti-semitismo, são todos crimes, não importa se é um cartaz colado no poste ou no Orkut", diz o advogado Walter Vieira Ceneviva, especialista em Direito das Telecomunicações. Participar sim do Orkut,mas com consciência.