Órgão de vigilância da mídia no Equador pune veículos críticos ao presidente

Multas que o instituto impôs afetaram apenas os jornalistas dos meios privados.

Atualizado em 24/04/2014 às 12:04, por Redação Portal IMPRENSA.


Criado pelo governo há seis meses, a Superintendência da Informação e da Comunicação do Equador, comandada pelo jornalista Carlos Ochoa, vem punindo duramente os veículos privados críticos ao presidente Rafael Correa.
Crédito:Agência Brasil Veículos não podem se opor ao presidente Rafael Correa
De acordo com o jornal El País , as multas que o instituto impôs afetaram apenas os jornalistas dos meios privados como os diários El Universo , sancionado por não ter dado informação verdadeira, e Extra , por se negar a corrigir títulos considerados mórbidos. Ambos foram condenados a pagar 10% de seu faturamento trimestral.
A única queixa que surgiu contra os meios do Estado foi descartada em poucos dias. A ativista de centro-esquerda Martha Roldós reclamou por ter sofrido linchamento midiático pelo jornal público El Telégrafo e de outros veículos que replicaram como notícia sua iniciativa de procurar financiamento nos EUA para criar uma agência de notícias.
"Fizeram uma interpretação novelesca de meus e-mails, que além disso foram hackeados, e iniciaram um linchamento midiático, não foi uma menção, foi o diário El Telégrafo , mais a Agência Andes, mais a rádio pública e até teve um especial de três partes nos canais apreendidos pelo Estado, em horário nobre, todos refletiam essa visão delirante e paranoica de que um pequeno projeto realizado por cidadãos equatorianos pretendia desestabilizar os governos progressistas da região e isso fez eco até nas sabatinas", declarou.
A denúncia foi arquivada sob a alegação que que não havia anexado a cópia do documento de identidade. "Isto é um tecnicismo, podiam ter me comunicado que faltava isto para completar a denúncia que apresentei pessoalmente, mas nada, nem sequer nos comunicaram do arquivo da queixa, eu me inteirei por uma jornalista", acrescentou.
Em seu site, o órgão apenas publicou informações gerais sobre as denúncias que recebeu até março do ano passado. O boletim aponta que 36% das críticas são por correção de notícias. Os meios audiovisuais responderam por 42%, seguido em um menor percentual por meios impressos (33%), rádios (20%) e digitais (5%). Dessas denúncias, foram resolvidas 77; das quais 14 contam com resolução sancionatória, três foram arquivadas e outras 60 não encerraram o trâmite.
A ONG Fundameios recorreu à Lei de Transparência e Acesso à Informação Pública na tentativa de obter detalhes dos processos, mas já recebeu duas negativas porque não foi explicado como usará essa informação. O diretor, César Ricaurte, lamentou a ação e disse que há "uma vontade deliberada de ocultar os processos de julgamento dos meios de comunicação, isso deveria ser público, não há nenhum artigo na Lei que diga que isso é informação particular".
O caricaturista Xavier Bonilla, que teve que alterar uma de suas ilustrações, pela qual o El Universo teve de pagar cerca de 90.000 dólares, diz que observou indícios suficientes de que o órgão se faz "eco das ações de revanchismo do regime".

VI “Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia”
IMPRENSA promove o VI Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, no próximo dia 6 de maio, das 10h às 19h, no Museu da Imprensa Nacional, em Brasília (DF). As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no site do evento.
O fórum contará com a presença de importantes profissionais de imprensa, como Alexandre Jobim, vice-presidente do Grupo RBS em Brasília; Ministro Ayres Britto, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF); Cristina Serra, repórter do "Jornal Nacional"; Denise Rothenburg, repórter especial do Correio Braziliense ; Eliane Cantanhêde, colunista de Política da Folha de S.Paulo ; Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado; e Milton Blay, correspondente e colunista da Rádio Bandeirantes e BandNews FM.