Opinião: União pelo bem do esporte

“Projeto Memória Olímpica” tenta, com financiamento coletivo (crowdfunding), construir uma das mais importantes bases de dados sobre atletasbrasileiros nas Olimpíadas, a partir de aproximadamente duas mil entrevistas e contando com a mobilização de empresas e fãs do mundo esportivo Confesso que não tinha me atentado muito ao crowdfunding até receber uma mensagem da professora e pesquisadora Katia Rubio, da USP, solicitando apoio aos fãs e profissionais de esporte.

Atualizado em 29/05/2013 às 12:05, por Anderson Gurgel.

Ela busca apoio para dar continuidade ao seu importante projeto chamado “Memória Olímpica”. Saiba mais sobre o projeto .

Essa iniciativa, tocada pela docente há mais de dez anos com recursos de financiamento público de Fapesp e CNPq, corre risco de ser encerrada por falta de verba. Triste é que justamente quando estamos no ciclo dos Jogos Olímpicos do Rio de 2016 falte verba para um importante trabalho como esse. Nesse longo período de trabalho, Katia equipe já entrevistaram mais de 1,2 mil atletas que estiveram em Olimpíadas representando o Brasil, mas para encerrar o trabalho, faltam cerca de outros 700 atletas a ser ouvidos. A meta final do projeto é, após coletar depoimento de todos os esportistas, gerar a Enciclopédia Olímpica Brasileira e disponibilizar um importante acervo de informações sobre o esporte no País.

Contudo, para isso, são necessários recursos para viagens, captação de depoimentos, preparação dos trabalhos, entre outros detalhes. O valor projetado para um final feliz para essa iniciativa varia de R$ 120 mil, o mínimo, a R$ 170 mil reais, o ideal para a conclusão do “Memória Olímpica”. O desafio é hercúleo, mas o esporte é cheio de histórias de superação.

“Na noite em que decidi fazer a campanha enviei 42 mensagens para atletas e colegas próximos que poderiam contribuir de alguma forma”, relata Katia. “E, para minha surpresa, em menos de 5 minutos começaram a chegar respostas afirmativas, sendo que, no dia seguinte, eu já tinha mais de 20 contrapartidas.” Segundo ela, vários atletas, além de doarem seus objetos, agora estão ajudando na arrecadação do dinheiro divulgando o projeto e também fazendo contribuições em dinheiro. “Não existe prova de solidariedade maior que essa”, acrescenta.

Além de acreditar e apoiar o “Projeto Memória Olímpica”, a reflexão sobre esse caso me fez pensar um pouco mais a fundo sobre a questão do crowdfunding e das oportunidades, caso esse modelo vingue para o esporte no Brasil. Ao pesquisar um pouco mais descobri que os financiamentos coletivos já são uma realidade nos Estados Unidos, onde movimentaram mais de US$ 5 bilhões no ano passado.

Para minha surpresa, o modelo já está ganhando força no Brasil com cerca de mil projetos sendo viabilizados e muitos na área de esporte. Atualmente por volta de quinze sites permitem a busca de captação por esse modelo. Um deles, inclusive, é dedicado ao esporte, o SalveSport. Conheça o site por .

Nele, além de ter acesso a informações sobre como ajudar o “Memória Olímpica”, também temos contatos com inúmeras outras iniciativas envolvendo esporte e que buscam captação de recursos. Entre eles, iniciativas para fomentar equipes de handebol em cadeiras de rodas, para auxiliar uma equipe de ginástica da Unicamp a fazer uma excursão internacional e até mesmo para ajudar figuras públicas do mundo esportivo, como a campanha “Leve o Bola Sete à Copa das Confederações”, que pretende levar esse torcedor famoso ao evento da Fifa.

Na fase das relações sociais – muito bem retratada pelo pesquisador norte-americano Clay Shirky brilhantemente no livro “Lá Vem Todo Mundo – O Poder de Organizar sem Organizações” – redes sociais e tecnologias móveis e convergentes maximizam o poder da mobilização. O poder está nos grupos. Acho que essa força pode ir além de permitir fazer festinhas ou trocar piadas. Podemos fazer a diferença e, inclusive, ajudar o esporte a crescer, a partir de projetos bacanas com o da professora Katia Rubio. Tomara que vingue o “Memória Olímpica” e também outras ações via crowdfunding. Um mundo novo de oportunidades pode surgir a partir daí.

Fiquem com uma mensagem final da Katia e até a próxima: “Eu entendo que o maior legado que os Jogos Olímpicos podem deixar para a humanidade são as histórias dos atletas, razão de ser da competição e do espetáculo esportivo. Sem eles, não há Jogos Olímpicos. Sem eles, não importa a discussão sobre estádios, infraestrutura urbana, segurança ou qualquer outra discussão de ordem material. Se tiramos os atletas dos jogos o que resta são questões de ordem social que podem ser discutidas a qualquer tempo por qualquer ente. E infelizmente esse trabalho ainda não foi feito no Brasil”, conclui.

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