Opinião: Uma tarde no SBT - Relato sobre bastidores do Teleton 2011
O SBT exibiu a 14ª edição do Teleton nesta sexta (21/10) e sábado (22/10). A TV Cultura também transmitiu, em conjunto, a maratona beneficente em prol da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente).
Desde a estreia do Teleton, essa é a principal mudança no caráter da campanha. O viés político entrou em cheio na atração. O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD), o ministro da Saúde Alexandre Padilha, o agora senador Cássio Cunha Lima, entre outros, aproveitam o espaço para aparecer na mídia e conquistar mais votos nas próximas eleições.
A tropa do cheque, mais uma vez, contribuiu para ultrapassar a meta estipulada em 24 milhões. O Grupo Itaú-Unibanco é, de fato, o maior parceiro. Mais de nove milhões de reais foram destinados para a AACD. Neste ano, criou-se uma tremenda expectativa se Hebe Camargo estaria no palco do Teleton ao lado de Silvio Santos, momento máximo do show. No programa "Festival 30 anos", a apresentadora já tinha confirmado sua presença. Porém, a rainha da TV brasileira enfrenta novamente problemas de saúde. Mesmo assim e com uma incrível garra, Hebe participou da maratona no sábado.
Neste ano, estive presente nos bastidores do Teleton. A sede do SBT fica em um lugar bem retirado de Osasco/São Paulo. Para chegar lá, a minha autêntica viagem durou mais de uma hora (moro na região central da capital paulista). Sai do bairro de Higienópolis e pude constatar a mudança de visual da cidade ao longo do trajeto até a Rodovia Anhanguera. De prédios a casas bem simples.
O SBT realmente é o símbolo máximo do Império de Silvio Santos. Percorri as instalações do "canal 4 de São Paulo". Conheci o local das gincanas do "Programa Silvio Santos" que toma uma área considerável da sede. Há quadras de tênis e futebol. No "cume", encontram-se os estúdios. Tive a oportunidade de conhecer o famoso restaurante tão falado pelo patrão em seu dominical e até esbarrei com a pequena Maisinha na área da cidade cenográfica do SBT. Acredito que estava gravando Carrossel com outros colegas do elenco. A mini petiz é mais "criançola" pessoalmente.
Todos os profissionais da imprensa ficaram situados no chamado lounge e não tinham acesso ao estúdio. Incrível isso, né não?! Os apresentadores e artistas, após a participação no palco, passavam pelo ambiente e concediam entrevistas aos jornalistas isolados por uma corda. Fãs também se aglomeraram no local. Fuzuê generalizado.
Mesmo assim, como sou uma pessoa persistente, tentei conhecer o local da gravação. Conversei com uma assessora do SBT a respeito. Cara fechada. Mal-humorada, disse para conversar com sua superior. Dias vêm. Dias vão. Não é verdade? No comunicado à imprensa, deveriam deixar bem claro que os profissionais não teriam acesso ao estúdio. De preferência sem erros de português ("pessas". Arghhh) e com frases bem elaboradas! (adoram um ponto de exclamação.)
Resolvi então conversar com a equipe da AACD. Uma moça (bem simpática, aliás) explicou que a plateia comporta 150 pessoas. As vagas ficam distribuídas entre crianças da AACD e familiares, pessoas ligadas aos patrocinadores e funcionários do SBT sorteados.
Também bati um papo com duas assessoras da TV Cultura (acessíveis e bem humoradas) que auxiliavam os jornalistas. As duas ficaram surpresas em me conhecer. "Você é o Fabio TV?" (acredito que alguns preferem me chamar assim a . Rs..). Falaram que recebem diariamente a minha newsletter e brinquei que fico feliz ao saber que alguém lê hahaha...
Conheci ainda uma senhora (Irai Nóbrega, perdão se errei o nome) que ficou indignada com uma drag queen travestida de repórter. Ela/ele solicitou para a convidada do SBT sair da área. Disse que estava trabalhando. Também vi "a profissional" e pensei naquele instante na vulgarização da atividade. Estudar quatro anos na Universidade para obter o tão falado diploma? Que nada. Uma drag, de vestido curtíssimo e justo, entrevista os artistas e deseja ser mais notada do que o entrevistado. Reflexões. Reflexões...






