Opinião: Um caminho para o jornalismo esportivo, por Rodrigo Viana
São de conhecimento público as cifras milionárias que os eventos esportivos geram entre as confederações detentoras dos direitos de transmissão e as mídias que os transmitem à população sedenta do espetáculo que está por vir.
Atualizado em 25/02/2016 às 15:02, por
Rodrigo Viana.
No meio disso, existem as agências atravessadoras. Aquelas que compram os direitos das confederações (da Fifa, no caso da Copa do Mundo de Futebol, por exemplo) e os vendem por um preço ainda maior às televisões, canais de internet, mídias móveis e outros suportes midiáticos que existem/irão surgir (para se ter uma ideia, se um bar, qualquer bar, à época da Copa do Mundo, quiser transmitir um jogo, tem legalmente que pagar algo à Fifa ou a quem ela determine). Enfim, o cartel é forte.
Como é muito dinheiro e pouca fiscalização – a maioria das confederações é privada – há muita ladroagem nesse meio. A palavra parece forte, mas não é. Rouba-se muito neste universo de dinheiro e poder. Os bandidos começaram a perder o jogo basicamente por dois motivos: guardavam o dinheiro (sujo) nos Estados Unidos e pela atuação da Imprensa. No início do ano passado, a polícia secreta americana, o FBI, prendeu sete dirigentes, entre eles o ex-presidente da CBF José Maria Marin. Tudo gente grande e graúda.
A coisa não parou por aí. Outras prisões foram feitas e outras serão. Muitas operações do FBI e de outras polícias do mundo nasceram de investigações jornalísticas. Destaca-se aqui o trabalho do correspondente de O Estado de S.Paulo Jamil Chade, cujas reportagens já me serviram de inspiração para uma coluna nesta IMPRENSA. Eu mesmo, em 2013, flagrei, fazendo uso da câmera escondida, vendas de ingressos ilegais na Copa das Confederações, comandadas pelo então secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke. Há algumas semanas, Valcke foi demitido da Fifa e ainda corre o risco de ser preso.
Interessante notar também que outros agentes intermediários desse jogo – os donos das agências de marketing esportivo – são jornalistas por formação. Já escrevi, também aqui nesta IMPRENSA, sobre J. Hawilla, milionário brasileiro, dono da Traffic. Preso nos Estados Unidos, está se utilizando da chamada “delação premiada” para diminuir sua pena e até mesmo ficar livre da cadeia. O mesmo caso vale para Kléber Leite, da Klefer Marketing Esportivo e tantos outros que virão se esta onda continuar.
Pois, nesta época, em que temos todas as dúvidas de para onde a profissão caminha, temos um novo-velho caminho. O jornalismo investigativo. Temos, na verdade, dois caminhos: tornarmos-nos agentes esportivos, roubarmos e irmos para trás das grades, ou ficarmos na frente delas, combatendo o bom combate. Questão de escolha.





