Opinião: “Tela Dobrável”, por Heródoto Barbeiro
Há um novo “imperium”, o dos bit e bytes... Como o jornalismo vai transitar nesse novo “imperium” que está disponível a população de todo o
A internacionalização da comunicação chega ao apogeu com as novas tecnologias. Ela começou a se concretizar ainda na época de Ciro, o unificador e construtor do império persa. Muitos povos sob um mesmo imperium, um sistema de correios capaz de levar e trazer relatórios com ordens e avaliação dos governadores, sátrapas, indicados pelo poder central. Acentuou-se no império grego com a simplificação da escrita, o que facilitou a comunicação entre diversas cidades-estado. No império romano o aperfeiçoamento da redação de leis acelerou o sistema administrativo com melhor comunicação. O império islâmico foi responsável pela tradução e universalização do conhecimento de filósofos e pensadores da Eurásia. Graça a isso não se perdeu. A característica comum dessas iniciativas foi a sobrevivência de línguas, tradições e religiões locais, convivendo com a língua, tradição e religião do império. Em alguns casos pagava-se um imposto e podia-se manter os costumes locais. Contudo nada foi tão eficaz como o legado do imenso império espanhol durante a conquista da América e parte do globo. As novas tecnologias são universais, e o conteúdo também. Os espaços informativos nessas plataformas são de acesso universal. Há um novo “imperium”, o dos bit e bytes. Suas consequências ainda não foram totalmente avaliadas.
Como o jornalismo vai transitar nesse novo “imperium” que está disponível a população de todo o planeta e já tem conectado uns 4 bilhões de seres humanos? Certamente não vai ser no sistema linear que sustentou os meios eletrônicos por mais de 70 anos. Hoje as empresas de tecnologia são o motor do carro do conteúdo e responsáveis pela difusão também do jornalismo em todo o globo. Mas quem disse que o motor não pode assumir o controle do veículo e se tornar ao mesmo tempo difusor e produtor de conteúdo? Já há sinais disso, uma vez que o custo de difundir conteúdo via IP é mais barato e contém a interatividade, a dupla ou pluri mão de direção. Este foi o desafio que o jornalista Udo Simons e eu tivemos ao redigir para a editora Alta Books, o Jornalismo para a coleção Para Leigos e que é lançada neste mês. Uma parte da prática do jornalismo vem da experiência do Jornal da Record News, que há quase um ano está em multiplataforma e a televisão é apenas uma delas. Como todo o conteúdo da internet pode ser acessado via smart tv, smartphone, tablet, computador, telas dobráveis ou qualquer outro gadget, na prática se pode assistir todo o conteúdo ao vivo, ou não, em qualquer lugar de Gaia. Quanto ao desafio ético, fica para quando os filósofos nos concederem uma entrevista.
* é editor-chefe e âncora do Jornal da Record News em multiplataforma.
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