Opinião: Superficialidade compromete retorno do “Na Moral”

Nesta quinta-feira (04/07), a Rede Globo estreou a segunda temporada de “Na Moral”. A atração apresentada por Pedro Bial discutiu a descriminalização e liberação das drogas no Brasil.

Atualizado em 05/07/2013 às 17:07, por Fabio Maksymczuk.

Tema controverso. O programa com apenas meia hora de duração tentou discutir o assunto. Apesar disso, a isenção passou longe. A descriminalização ganhou uma edição mais favorável no debate. A “dama do teatro” Fernanda Montenegro disse que não é justo o usuário de drogas ser preso. Na atual legislação, apenas o traficante é encarcerado. Fernando Henrique Cardoso, chamado de presidente por Bial, tentou, sem sucesso, explicar a diferença entre descriminalização e liberação. Na prática, já ocorre a liberação da maconha, pelo menos em São Paulo. Segundo reportagens do “SPTV”, veiculadas recentemente na Rede Globo, mesmo com dezenas de policiais militares sitiados à frente do MASP, a maconha rola solta no vão livre do Museu (ponto turístico da cidade). A superficialidade do debate comprometeu a reestreia de “Na Moral”. O tempo de duração é exíguo para mostrar os dois lados. Um médico tentou alertar sobre o aumento de transtornos psiquiátricos oriundos do consumo da erva, por exemplo. Porém, sem traquejo na TV, começou a debelar com o oponente. É igual a um debate político. Quem ataca, sempre perde. A conscientização sobre o uso das drogas não ganhou espaço. Bial indagou se é um problema de saúde pública. No Brasil, existe uma rede decente de saúde pública? “Os impostos poderiam financiar a construção de hospitais”. Até nisso, o Governo quer uma “boquinha”? Por que o programa não contou com a participação de atores do elenco platinado, como Fabio Assunção, Vera Fischer e Felipe Camargo? O debate não é tão simplista, como tentou transparecer o “Na Moral”.

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