Opinião: Somente uma comunicação perene valoriza a imagem e a reputação

A sociedade da informação, cujas veias tecnológicas nos colocam num processo eterno de mudança e expansão, tem feito cada vez mais empresas

Atualizado em 03/10/2011 às 16:10, por Pedro Corrêa.

Sintonia Fina

Leo Garbin sentirem a necessidade de sair do casulo e estabelecer relacionamentos ativos com seus diversos stakeholders. Mas deixar as amarras da discrição comunicativa é um processo difícil, ao qual nós, profissionais de relações públicas, devemos acompanhar sempre munidos - além de todos os recursos profissionais que estudamos e vivemos - de uma boa dose de paciência.
Gasta-se cada vez mais tempo em reuniões de convencimento com líderes de empresas, que até então têm um baixo, ou mesmo inexistente, perfil de comunicação com seus públicos. Cada prospecção sempre traz à tona uma série de dúvidas, que oscilam entre a pertinência e o descabimento.
Como fazer com que a imprensa publique exatamente o que quero dizer, inclusive o que definimos em nossas mensagens-chave? Como virar referência para os jornalistas em meu setor de atuação? Como reverter uma situação desfavorável na mídia, diante de informações negativas sobre os meus negócios, seja por decisões judiciais, seja por acidentes, seja por qualquer outro motivo?
Como garantir que, ao responder a uma demanda da imprensa sobre uma situação crítica, o repórter avalie com isenção minha resposta e até mesmo engavete a pauta? Como assegurar uma presença massiva de gente antenada no lançamento de um novo produto, mesmo sendo ele mais um entre muitos? Como gerar buzz nas mídias sociais? Diante de questões como essas, cujas respostas nos parecem óbvias à primeira vista, sempre corremos o risco de que nossos interlocutores não compreendam como a comunicação atuará para que sejam estabelecidas interações equilibradas com as diversas audiências.
Seja para ações ativas, seja para gerenciar situações de crise. O dia a dia das agências nos coloca, invariavelmente, diante de situações no mínimo surpreendentes, e há momentos, porém, em que temos de ser extremamente didáticos e metafóricos. No caso das perguntas acima, há várias alternativas possíveis de resposta, mas uma delas, com certeza, tende a servir para todas essas indagações: a de que apenas o estabelecimento de uma comunicação perene com os públicos-alvo é capaz de permitir que a imagem e a reputação da empresa sejam valorizadas ou, ao menos, preservadas.
Estar sintonizado sempre com seus interlocutores, eis a resposta no mínimo mais honesta. Como no rádio: se estamos sempre sintonizados com nossos públicos, fica mais fácil ajustarmos o volume na hora que quisermos. Mais alto ou mais baixo, dependendo da intensidade do som - ou seja, da fala - que queremos. Mas, se perdermos a frequência, só teremos ruído. Até fazermos a sintonia fina de novo, pode ser tarde demais para revertermos uma crise, superarmos um concorrente, abrirmos canais com jornalistas, consolidarmos presença nas mídias sociais e, o pior dos mundos, evitarmos que outros falem o que querem da empresa.

Jornalista e consultor em comunicação corporativa, é executivo sênior e estrategista da Burson-Marsteller no Brasil (pedro.correa@bm.com)