Opinião: Sob a neve, registramos aquela que já é a maior conquista alvinegra da história

Atualizado em 07/01/2013 às 16:01, por Rodrigo Viana.

Depois que atravessamos o Pacífico, a orientação era para não dormir mais: “Adaptação ao fuso horário”, disseram. Começava aí a maior reunião de pauta a céu (literalmente) aberto da qual já tinha participado.
O burburinho esportivo jornalístico corria solto no maior avião comercial da história! Dos 555 assentos do superjumbo, pelo menos um terço deles era ocupado por jornalistas brasileiros. A missão profissional? Acompanhar a saga corintiana no Campeonato Mundial Interclubes. A missão pessoal? “Experienciar” vivências e trocar experiências.
Gente do impresso, do rádio, da internet e da TV ansiavam pelo choque cultural que a multidão corintiana iria causar na Terra do Sol Nascente.

Mas o primeiro impacto foi nosso. Uma das portas do avião se abriu durante o voo, numa turbulência, causando uma ventania no local. As aeromoças tentaram tampar o buraco com almofadas. Você aí, na poltrona da sua casa, já parou pra pensar num avião com uma porta aberta a mais de dez mil metros de altura? A cena de cinema completou-se assim que aterrissamos (graças a Deus!?) no Japão: enfrentamos um terremoto de 7,3 graus na escala Richter. Se pensarmos que a escala tem nove pontos, dá pra assustar. Assustar e balançar. Senti-me num parque de diversões! As TVs locais emitiram um alerta de tsunami que não se confirmou.
Cabe aqui um parêntese: não houve, em nenhuma das situações, nenhum tipo de pânico. É estarrecedor pra gente, que vive numa cultura imediatista, imaginar como os nipônicos se portam nos momentos de crise. Calma e serenidade. Adotamos este lema daí pra frente. E parece que o Corinthians, do sereno e filosofal técnico Tite, também adotou.
Sob a neve de Nagoya e o frio cortante de Yokohama, registramos aquela que já é a maior conquista alvinegra da história. Os jornalistas todos passamos por vários momentos trágicos, engraçados, emocionantes... humanos. Do Japão, vou levar a imagem do lendário Monte Fuji. Pesquisando um pouco sobre a palavra “Fuji”, que dá nome ao pico, descobri dois significados: o primeiro quer dizer “sem igual”, e o segundo, “interminável”
Não é preciso saber qual das duas etimologias está correta. O jornalismo esportivo proporcionou-me uma experiência interminavelmente sem igual. Além disso, reforcei minha convicção de que a mídia esportiva cresce, com alicerces mais sólidos, a passos largos, deixando para trás, de uma vez por todas, a nefasta prática de algumas escolas de comunicação de determinar ao esporte, mais especificamente ao futebol, um espaço menor e sem importância. O mundo gira!
é repórter, professor de Pós-graduação em jornalismo esportivo e mestre em Semiótica e Literatura