Opinião: Situação da Justiça amplia divisão social no Brasil

Quanto mais fico sabendo do que se passa no subsolo e do primeiro ao último andar deste país, mais me orgulho de ser jornalista e de estar n

Atualizado em 05/07/2011 às 11:07, por Adísia Sá.

Ministro falou, está falado

este caminho desde os idos de janeiro de 1955. E deste não arredar pé até hoje. Devo dizer que nasci, vivo e espero morrer jornalista. Aliás, o único pedido que faço às forças que a tudo controlam é de que meus últimos suspiros sejam em atuação jornalística. A longa existência me fez testemunha de momentos tristes e de alegria, muitos e muitos deles nas redações.
Vi subirem e descerem cabeças com coroas de ouro - também de espinhos. Vi histórias sendo feitas de herois de todo dia, muitos dando a vida por seus amigos; vi também outras de calabares infiltrados em salas de aula e de redação, ouvindo, gravando, xeretando o cotidiano de professores e jornalistas. Mas o que importa é que estamos contando o visto, o ouvido, o sabido. Testemunhando o surgimento de personagens em plena atuação e já na história. Como não falar, então, em ministros dos tribunais federais, em desembargadores dos tribunais de justiça de nossos estados, em juízes de nossas comarcas?
Dentre tantos há aqueles que, procurados pela imprensa, não se negam a falar, a se expor na defesa de seus pontos de vista. Pelo contrário, falam, e ao falar nos ensinam. O ministro Cezar Peluso, por exemplo, se expõe e expõe suas ideias ao povo através da imprensa, no STF, ou, como agora, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, ao defender sua proposta de mudança no sistema judicial brasileiro: "Temos um sistema custoso porque exige tempo, dinheiro e desgaste humano. O sistema não é apenas custoso, mas ineficiente, danoso e perverso".
O ministro defende a aprovação da proposta de mudança da Constituição, ou seja, que as penas e decisões da Justiça comecem a ser cumpridas logo depois do julgamento da segunda instância: hoje o cumprimento das penas fica à espera do julgamento de recursos pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal. Pela alteração, os advogados poderiam recorrer aos tribunais superiores, mas a pena já estaria sendo cumprida.
(2) Vale dizer que a Justiça como está, lenta e cara, passa a ser vista como privativa dos ricos, que agilizam os processos graças a boas e caras bancas de advogados, deixando os menos favorecidos e os marginalizados entregues à própria sorte. Essa concepção/prática é terrivelmente prejudicial à imagem e à natureza da lei, ao mesmo tempo em que humilha o cidadão, desamparado e faminto... de justiça.
E um povo órfão da lei, ao desabrigo da Justiça, é infeliz, revoltado e descrente de sua pátria, transformado em alvo fácil dos que fomentam a discórdia e a divisão social entre ricos e pobres. Passamos a ser iguais apenas na certidão de nascimento e no título eleitoral... "Tudo passa sobre a terra" (José de Alencar, "Iracema").