Opinião: "Por escolha ou exclusão", por Heródoto Barbeiro
Educação gratuita da pré escola à universidade. Isso existe. É na Finlândia. Um professor ganha o equivalente a R$ 16 mil e os cursos mais i
Durante muito tempo, em outros países a arte de dar boas aulas era restrita a uma faculdade de educação. Os alunos completavam o bacharelado em uma determinada disciplina e depois a licenciatura na faculdade de educação. Em vez de aprender a técnica da comunicação, didática, e outros recursos para prender a atenção dos alunos, discutem métodos de aprendizagem que começaram com Rousseau e chegam aos dias atuais. De posse de um diploma, que habilita o universitário a dar aula, qual é sua capacidade de ganhar os alunos, de fazer com que seus olhos brilhem diante do conhecimento? Esse é o segundo passo para um ensino de qualidade. O primeiro é conhecer a disciplina que vai ensinar e ser capaz de traduzir o teórico que aprendeu na universidade em aulas que os alunos sejam capazes de entender sem dormir, jogar spinner ou olhar o celular. Quantas aulas de liderança o professor teve? Provavelmente nenhuma. Nenhum curso de dicção. Nenhum treino de manipulação de material didático. Então como transmitir com essas deficiências o ensinamento de uma geração para outra? A universidade forma químicos, mas não professores de química, forma matemáticos, mas não professores de matemática.
Crédito:J-P Kärnä/Creative Commons Auditório no edifício principal da Universidade Aalto, na FinlândiaUma boa parte dos que dão aula em outros países não são professores por escolha. Dar aulas, geralmente, é uma escolha por exclusão. Muitas vezes, um bico, até que surja uma possibilidade melhor remunerada, com reconhecimento da sociedade e que não exija tantas horas de preparação e correção de trabalhos. Não é possível jogar nas costas do professor a responsabilidade pela ausência de ensino de qualidade. A geração dos baby boomers foi para boas escolas primárias, secundárias e universitárias. Têm saudade da escola e dos professores. Eles sabiam a disciplina, sabiam dar aula, eram respeitados pela sociedade. Receber um bilhete da escola por mau comportamento fazia a casa do estudante cair. Contudo não se pode melhorar um pais olhando para o retrovisor. Uma das saídas é a universidade, pública ou privada, habilitar praticamente os que desejam ser professores. Nem todos querem a profissão, preferem a pesquisa ou o trabalho especializado. Mas os que se decidirem pelo magistério não podem chegar na frente de uma classe de alunos com as pernas bambas e a voz embargada. Ninguém merece isso nem por que optou pela profissão nem por ideal.
* Heródoto Barbeiro é escritor e jornalista da RecordNews editor do Blog do Barbeiro, ex-âncora do Roda Viva, da TV Cultura, e do Jornal da CBN, autor nas áreas de jornalismo, historia, comunicação corporativa e budismo.






