Opinião: "Para Roma, Com Amor" critica cobertura "jornalística" de subcelebridades

Assisti recentemente ao filme “Para Roma, Com Amor” que ainda está em cartaz nos cinemas. Normalmente, não leio críticas antes de acompanharos longas (para não ser influenciado).

Atualizado em 03/08/2012 às 12:08, por Fabio Maksymczuk.

Apesar disso, não pude desviar das análises completamente divergentes sobre o filme em questão. Fico entre os espectadores que perceberam mais pontos positivos do que negativos. Uma das histórias retratadas é protagonizada por Roberto Benigni. O personagem interpretado pelo ator italiano, de uma hora para outra, se transforma em uma celebridade instantânea e depois desaparece da mídia. No momento de fama, os repórteres fazem perguntas estapafúrdias, até mesmo sobre o modelo de cueca que usa. "Uso cueca boxer. Isso é um furo jornalístico!!", exclamou. Infelizmente, é bem por ai mesmo que caminha a "cobertura jornalística de celebridades". Isso acontece principalmente com os ex-BBBs que insistem em prolongar os 15 minutos de fama. Antes completamente desconhecidos, entram em um dos programas de maior audiência da TV brasileira. Confinados, não “curtem” a exposição midiática. Não percebem, em tempo real, toda a repercussão de sua nova fase de celebridade. Quando saem da casa mais vigiada do País, percebem que realmente viraram popstars (mesmo os mais rejeitados). Depois, surge outra edição do reality e desaparecem. Mesmo assim, alguns insistem em permanecer nos holofotes. Contratam assessorias de imprensa para divulgar notas muitas vezes esdrúxulas. Isso também ocorre com muitos jovens atores e atrizes. Para permanecerem visíveis no mercado de trabalho, empregam vários subterfúgios. Criam romances. Participam de campanhas beneficentes. Alguns até combinam com os temíveis “paparazzi” para serem fotografados. Isso gerou uma interessante discussão no programa “Na Moral”, da Rede Globo. O ator Pedro Cardoso atacou a prática e criticou o sistema. O fotógrafo que participou da discussão lembrou que os “tentáculos” das Organizações Globo são os veículos de comunicação que mais demandam as famigeradas “fotos”. O que acrescenta ao espectador ver um determinado ator tomando sol em uma praia? Ou correndo? Ou no supermercado? É a banalização máxima da imagem. Woody Allen passou o recado em “Para Roma, Com Amor”.

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