Opinião: Olá, Sr. Plínio????, por Thaís Naldoni
Coluna em memória de Plínio de Arruda Sampaio
Atualizado em 10/07/2014 às 14:07, por
Thaís Naldoni e gerente de Conteúdo de IMPRENSA.
Por
Era setembro de 2013. Pautamos para uma seção da revista IMPRENSA um almoço no qual reuniríamos algumas personalidades para debater a “esquerda” e a “direita” na mídia nacional. O repórter Guilherme Sardas fez os convites ao filósofo Roberto Romano, ao jornalista Heródoto Barbeiro, ao colunista Reinaldo Azevedo e ao ex-deputado federal e ex-candidato à Presidência da República Plinio de Arruda Sampaio.
Na data marcada, três dos quatro convidados chegaram na hora exata. Faltava Plínio. Guilherme e eu ficamos preocupados, afinal, era nosso legítimo e irretocável representante da esquerda e estávamos ansiosos para ver como seria o encontro entre ele e Reinaldo Azevedo, sobretudo.
Corre o Guilherme para ligar na casa de Arruda.
- Alô, Dona Marietta? O seu Plínio está?
- Não, saiu faz uns 40 minutos para um almoço de uma revista, mas ele está perdido no centro, perto da Praça da República. Não encontra o endereço.
- Ele tem algum celular? Porque aí vejo onde ele está e ajudo a localizar.
- Não tem. Ele me ligou de um orelhão da Praça da República. Se ele ligar de novo, aviso.
Guilherme volta para o restaurante e me relata a conversa. Pensei dois segundos e disse para ele segurar as pontas com os demais convidados, que eu iria até a Praça para ver se encontrava o Plínio e o conduzia até o local. Meu colega deu risada. “Thaís, até parece que você vai achar”. Bom, fui. Afinal, estávamos há quatro quarteirões da Praça.
Então, segui descendo a Av. Ipiranga, em direção à Av. São João. Em uns três minutos de caminhada, avistei um senhor que andava calmamente, com as mãos juntas e para trás, conferindo a numeração da rua.
Crédito:Alf Ribeiro/IMPRENSA Roberto Romano, Plinio de Arruda, Heródoto Barbeiro e Reinaldo Azevedo
Me aproximei. “Sr. Plínio??”. Ele me olhou com um sorriso, em um misto de simpatia e surpresa. “Sou Thaís, da revista IMPRENSA. Soube que o senhor estava por aqui e vim encontrá-lo”. Plínio Arruda deu uma sonora gargalhada. Contou que usava frequentemente o metrô, mas que não encontrava a rua do restaurante de jeito nenhum e já estava preocupado com o atraso.
Quando chegamos ao local do almoço, todos se levantaram para recebê-lo, em um sincero sinal de carinho e reverência. Ali, diante de nós, estava um senhor, cheio de ideais, que acreditava muito no Brasil e se dispunha a falar sobre isso sempre que acionado – e até quando não era.
O encontro da esquerda (Plínio) com a direita (Reinaldo) não rendeu faíscas e farpas, como imaginávamos. Foi repleto de argumentos, histórias, mas, acima de tudo, muito respeito.
Nesta semana, o Brasil despediu-se do idealista Plínio de Arruda Sampaio, que além de uma lição de cidadania e simplicidade, me deixou uma saborosa e inusitada história para o meu livro de memórias jornalísticas.
Para ler mais textos da colunista, .
Era setembro de 2013. Pautamos para uma seção da revista IMPRENSA um almoço no qual reuniríamos algumas personalidades para debater a “esquerda” e a “direita” na mídia nacional. O repórter Guilherme Sardas fez os convites ao filósofo Roberto Romano, ao jornalista Heródoto Barbeiro, ao colunista Reinaldo Azevedo e ao ex-deputado federal e ex-candidato à Presidência da República Plinio de Arruda Sampaio.
Na data marcada, três dos quatro convidados chegaram na hora exata. Faltava Plínio. Guilherme e eu ficamos preocupados, afinal, era nosso legítimo e irretocável representante da esquerda e estávamos ansiosos para ver como seria o encontro entre ele e Reinaldo Azevedo, sobretudo.
Corre o Guilherme para ligar na casa de Arruda.
- Alô, Dona Marietta? O seu Plínio está?
- Não, saiu faz uns 40 minutos para um almoço de uma revista, mas ele está perdido no centro, perto da Praça da República. Não encontra o endereço.
- Ele tem algum celular? Porque aí vejo onde ele está e ajudo a localizar.
- Não tem. Ele me ligou de um orelhão da Praça da República. Se ele ligar de novo, aviso.
Guilherme volta para o restaurante e me relata a conversa. Pensei dois segundos e disse para ele segurar as pontas com os demais convidados, que eu iria até a Praça para ver se encontrava o Plínio e o conduzia até o local. Meu colega deu risada. “Thaís, até parece que você vai achar”. Bom, fui. Afinal, estávamos há quatro quarteirões da Praça.
Então, segui descendo a Av. Ipiranga, em direção à Av. São João. Em uns três minutos de caminhada, avistei um senhor que andava calmamente, com as mãos juntas e para trás, conferindo a numeração da rua.
Crédito:Alf Ribeiro/IMPRENSA Roberto Romano, Plinio de Arruda, Heródoto Barbeiro e Reinaldo Azevedo
Me aproximei. “Sr. Plínio??”. Ele me olhou com um sorriso, em um misto de simpatia e surpresa. “Sou Thaís, da revista IMPRENSA. Soube que o senhor estava por aqui e vim encontrá-lo”. Plínio Arruda deu uma sonora gargalhada. Contou que usava frequentemente o metrô, mas que não encontrava a rua do restaurante de jeito nenhum e já estava preocupado com o atraso.
Quando chegamos ao local do almoço, todos se levantaram para recebê-lo, em um sincero sinal de carinho e reverência. Ali, diante de nós, estava um senhor, cheio de ideais, que acreditava muito no Brasil e se dispunha a falar sobre isso sempre que acionado – e até quando não era.
O encontro da esquerda (Plínio) com a direita (Reinaldo) não rendeu faíscas e farpas, como imaginávamos. Foi repleto de argumentos, histórias, mas, acima de tudo, muito respeito.
Nesta semana, o Brasil despediu-se do idealista Plínio de Arruda Sampaio, que além de uma lição de cidadania e simplicidade, me deixou uma saborosa e inusitada história para o meu livro de memórias jornalísticas.
Para ler mais textos da colunista, .






