Opinião: “O valor de uma boa história”, por Leandro Massoni Ilhéu

História: uma palavra com a qual o brasileiro, de modo geral, é pouco habituado a conhecê-la mais a fundo, uma vez que a pressa imposta pela

Atualizado em 11/10/2017 às 14:10, por Leandro Massoni Ilhéu.

Crédito:Acervo pessoal turbulenta rotina nos impede de nos determos por alguns minutos para descobrirmos novos mundos e possibilidades. Salvo somente os casos de pessoas que ainda conseguem dedicar um pequeno tempo que seja estando sentadas ou em pé enquanto lidam com o aglomerado de público nos transportes públicos para ler um livro, revista ou (raramente) um jornal e, assim, saborear seus conteúdos.
No mundo do jornalismo esportivo, a exemplo do que foi citado acima, além da infinidade de livros sobre o tema, existem também artigos diversos espalhados pelos mais variados links que se encontram na internet e que podem ser acessados através dos nossos smartphones.
Contudo, o mais curioso que percebo é que, neste meio, são praticamente poucos (ou pelo menos um seleto grupo) que tem realmente o hábito de ler temas esportivos deslocados dos grandes focos impostos pela mídia esportiva.
No mercado de trabalho, a situação não deixa de ser a mesma. As atenções da maioria dos veículos e dos jornalistas esportivos - e também de alguns recentes focas saídos do forno - estão direcionadas a uma única modalidade, que é o futebol. O que não é totalmente errado (e tampouco uma novidade!), já que o esporte ainda permanece (e acredito que continuará por muitos anos) como o carro chefe das grandes redações.
Recentemente, em uma de minhas conversas com um amigo jornalista esportivo, ele me disse que uma boa parte desses profissionais que cobrem esportes tem se interessado mais nos assuntos momentâneos e não em outros que, na visão deles, dão mais trabalho para serem produzidos. O que é uma verdade, pois, infelizmente, observo que as boas histórias jornalísticas que necessitam de mais tempo e capricho para serem lapidadas estão ficando cada vez mais para escanteio.
Sendo assim, e com base na modalidade esportiva jogada com os pés, vejamos: no Estado de São Paulo, notícias sobre Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos tem em baciada, ou seja, à vontade em qualquer veículo que seja. Entretanto, onde está o devido espaço para clubes como Portuguesa, Juventus, Guarani, Ponte Preta e Nacional (tema do meu documentário disponível no YouTube)? Será que nesses times não há boas histórias ou fatos inusitados para serem contados?
E indo além do futebol, afirmo que a grande mídia não tem oferecido o espaço devido para outras modalidades esportivas, entre elas o vôlei, o basquete e lutas em geral como o boxe, que já teve seus anos áureos no Brasil. Até mesmo a Fórmula 1 está praticamente jogada de lado há tempos devido aos insucessos de brasileiros no meio automobilístico, pois da mesma forma que acontece em toda olimpíada, quando algum brasileiro se destaca e é congratulado com uma medalha de ouro, isso passa a ser notícia (o famoso "Jornalismo Muttley").
Então, quem sobra para fazer este árduo trabalho de contar essas boas histórias para os leitores aventurados em toda e qualquer notícia esportiva? A mídia alternativa ou os aventureiros e pesquisadores em meio à selva de pedra da informação. Por vezes são eles que, através dos seus sensos apurados de curiosidade, desbravam os conteúdos pouco lidos e já quase esquecidos a fim de reavivá-los e levar aos interessados as narrativas que saem definitivamente do campo do óbvio (em suma: daquilo que o povo já está acostumado a ver).
Sendo mais específico, o trabalho do jornalista esportivo é mais do que noticiar, e sim, contar uma história nova a cada dia, um desdobramento surgido de um fato que teve pouca ou muita notoriedade na mídia esportiva, mas que possui potencial o suficiente para atrair leitores interessados em conteúdos inéditos.
Aliás, o ineditismo contido em um determinado assunto tem mais chance de atrair um público maior do que um tema já batido e repercutido em boa parte dos veículos de comunicação de Norte a Sul do país.
É bom lembrarmos que para os apreciadores de bons conteúdos, uma publicação expandida para novos horizontes já basta. E sendo assim, para nós profissionais do meio jornalístico, tudo é questão de pensar diferente do que já foi feito e partir em busca de desafios, mais precisamente de pautas que sejam desafiadoras, já que devemos ser movidos pelos corações de nossos leitores.
* é jornalista formado pela Universidade Paulista (Unip) e pós graduado em Jornalismo Esportivo e Multimídias pela Anhembi Morumbi. É também radialista pela Rádioficina Escola de Rádio e Televisão. Tem se aventurado a escrever sobre jornalismo esportivo por meio do site Comunique Esporte. É também autor do vídeo documentário “O Futebol Nacional”, que conta a história do Nacional Atlético Clube através do ponto de vista de jornalistas e peritos no esporte bretão.