Opinião: O sindicato está com os dias contados
A notícia, meio perdida no meio de outras mais imediatas e próximas do fortalezense, não me surpreendeu, embora tenha sido diferente o senti
Atualizado em 06/06/2011 às 12:06, por
Adísia Sá.
Sindicato na UTI?
mento de muitos sindicalistas: "Isto é coisa plantada para enfraquecer os trabalhadores da construção civil em greve na capital." O que, afinal, dava o jornal? "Sindicatos perdem força no mundo", diz especialista. Para mim isto é absolutamente verdadeiro e com manchete garantida: "Sindicato na UTI", e não me refiro a X, Y ou Z: falo em termos absolutos. O sindicato - e não é apenas no Ceará - está com seus dias contados. Falo em "sindicato", como hoje se apresenta.E não estou sozinha nessa posição: o professor Eduardo Girão, da Universidade Federal do Ceará, afirma que "os estudos sobre sindicalismo apontam para uma perda do poder de combate dos sindicatos: isso é um fenômeno mundial", constatado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) - "há um enfraquecimento geral."
Onde o sindicato mantinha sua força reivindicatória, culminando com o cruzar dos braços, ganhou a política do diálogo sem paralisação, com as partes interessadas pondo à mesa as suas pautas e abrindo negociações.
O Brasil, antes do chamado "novo sindicalismo", tinha vigente o modelo fascista, onde o Estado ditava as regras trabalhistas, sendo balela o apregoado slogan "liberdade e autonomia", posto que só servia para apoiar o governo. A luta de lideranças sindicais, não sem prisões e derramamento de sangue, avançou ao longo dos anos com a conquista da "...estabilidade do trabalhador em seu emprego, liberdade sindical , direito de greve, participação na administração das empresas..." (Almir Pazzianoto), e abriu as portas para maior autonomia da classe trabalhadora, culminando, em termos de categorias profissionais, com a força de cada segmento a discutir as suas pautas em busca de conquistas.
Além do mais, há hoje um leque de variadas atividades, tanto na empresa como na mesma área, constituindo o que se chama de "globalização do trabalho". No meu entendimento fica bastante complexa a elaboração de uma pauta de reivindicações que cubra todos os segmentos dos trabalhadores lotados, não apenas numa mesma empresa, como na mesma área de atuação. Daí então a livre negociação entre os variados grupos de trabalhadores e a empresa, o que, noutras palavras, enfraquece ou exclui o sindicato. Também convém lembrar que cresce o número de trabalhadores autônomos e redução dos postos de trabalho de carteira assinada. De 1889 aos nossos dias, mudanças aconteceram nas relações entre patrões e empregados, empresas e trabalhadores e na legislação específica, mas ainda estamos longe de um modelo que se case com as novas realidades, onde as posturas ideológicas tendam a desaparecer, dando lugar a posições mais objetivas, nas quais a segurança do empregado e a melhoria das condições de trabalho serão as bandeiras do diálogo de trabalhador e empregador.






