Opinião: O rádio, um jovem senhor, já esteve na UTI e resistiu graças a um tratamento sistemático
O rádio, um jovem senhor que caminha para seu aniversário de 90 anos no Brasil, já esteve na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e já foi
Atualizado em 14/03/2012 às 09:03, por
Cátia Toffoletto.
O nome da voz
Leo Garbin desenganado algumas vezes. Com a chegada da senhora televisão, foi dada a primeira sentença de morte certa. Anos mais tarde, com o estouro da internet, mais uma. O veículo resistiu graças a um tratamento sistemático, regado a doses de persistência, paciência e, o mais importante dos remédios ministrados, perseverança.Elegi o rádio como companheiro de informações ainda na década de 1980. Foi também nesse período que decidi que queria mais que isso: minha vontade, meu desejo e objetivo eram de participar dos fatos contados e ter sensibilidade suficiente para passar a emoção do fato, do momento, para todos os que me ouviam.
Como ouvinte, eu acompanhava e vibrava, imaginando cada notícia dada e também cada lance das partidas do Corinthians (meu clube de coração). O começo foi meio tímido, assim como um amor ainda não declarado, só uma paquerinha (sabe quando você se interessa por alguém e fica com vergonha de revelar?). Então, era um pouco assim, mas devagar fui relaxando, baixando a guarda e me entregando de corpo e alma nessa relação delicada e nessa certeza de querer transformar a sociedade, provocar discussões e reflexões por meio do veículo, da reportagem, da voz e da sensibilidade.
O rádio permite que você traga o ouvinte para bem perto de você. Cria intimidade na sala, no quarto, no banheiro, no ônibus – basta ter um celular e você pode escolher o dial que quer sintonizar. Se está na frente do computador, dentro do carro e, claro, com o próprio aparelho, o ouvinte está do seu lado.
Foi com toda essa responsabilidade que comecei inicialmente a redigir e depois a falar aquilo que escrevia. Confesso que ouvir minha voz no rádio foi muito estranho no começo, mas, como tudo na vida, fui me acostumando.
Ainda lá no começo da minha carreira, nos primeiros dias de trabalho, fui pega de surpresa por uma sugestão inusitada: mudar o sobrenome que usava na hora de assinar uma matéria. Para mim, isso era coisa que só artista fazia, mas não. Um locutor na época – já falecido – sugeriu para a chefia de reportagem que deixasse de assinar Toffoletto e passasse a grafar Toledo.
Nada contra os Toledo, mas Toffoletto é forte, é sonoro, e eu adoro. Parece engraçado, mas só mesmo a partir daquele momento comecei a entender melhor a importância de se fazer uma reportagem e assinar o nome... seja ele qual for.
Coluna publicada na edição de março (276) da Revista IMPRENSA






